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Mauricio Botelho deixará presidência da Embraer em abril de 2007

Mauricio Botelho, o atual presidente da Embraer, anunciou que deixará o cargo em abril de 2007. Ele decidiu também que ficará na presidência do conselho de administração até 2009 para comandar a transição da atual estrutura para a "Nova Embraer". Segundo Botelho, a decisão sobre a sua saída da presidência da Embraer será apresentada na assembléia geral extraordinária de abril do próximo ano e a data de saída é uma decisão pessoal. O executivo afirmou que há pessoas habilitadas para sucedê-lo dentro da companhia, mas a decisão final sobre o novo presidente caberá aos acionistas. O conselho da fabricante de aviões Embraer aprovou hoje o processo de reformulação societária que prevê a criação da Rio Han Empreendimentos e Participações - empresa, de capital fechado, que tem o objetivo específico de servir como veículo da reestruturação. A Rio Han pretende eleger Botelho para o cargo de presidente do conselho de administração durante o período de transição. OperaçãoA intenção de pulverizar o controle acionário da Embraer foi anunciado na segunda-feira. Pela proposta da diretoria da empresa, as ações preferenciais (PN, sem direito a voto) serão todas transformadas em ordinárias (ON, com direito a voto). A mudança permitirá à empresa ingressar no Novo Mercado da Bolsa de Valores de São Paulo.No comunicado, a empresa afirma que a nova estrutura de capital tem por objetivo aumentar sua ?capacidade de financiamento?. Está prevista a criação de uma nova sociedade que incorporaria a Embraer e, inicialmente, todas as 145,527 milhões de ações ordinárias de emissão da própria Embraer.Privatizada em 1994, a Embraer é hoje controlada pela Companhia Bozano e pelos fundos de pensão Previ e Sistel, por meio de um acordo de acionistas. Cada um detém 20% das ações ordinárias. Conjuntamente, elegem a maioria do conselho de administração. A União detém a Golden Share, com direito a veto sobre encomendas militares, participação de estrangeiros no capital e questões relacionadas à marca Embraer. A proposta não altera a participação máxima de 40% permitida a estrangeiros no ato de privatização.A proposta foi bem recebida pelo mercado. ?A nova estrutura é positiva e, para o minoritário, os ganhos são bem maiores do que eventuais sacrifícios de ver suas participações diluídas. O Novo Mercado traz uma proteção a mais para o minoritário?, avalia o analista Alexandre Garcia, da corretora Ágora Sênior. ?É uma notícia bastante positiva para as ações, mas não podemos esquecer que os fundamentos da empresa continuam enfraquecidos?, completa a analista do BES Securities, Elaine de La Rocque.BenefíciosAo migrar para o Novo Mercado, nível mais alto de governança corporativa, a Embraer poderá atrair uma série de investidores institucionais estrangeiros, como fundos de pensão, que impõem restrições a empresas com mais de um tipo de ação, entre outras questões ligadas à governança corporativa. Na avaliação do mercado, os grandes beneficiários da operação serão os atuais controladores. O fato é que as ações ordinárias da Embraer andavam ?esquecidas?. A diferença de preço entre ordinárias e preferenciais chegou a 40% - talvez a maior do mercado brasileiro. Essa diferença foi sendo gradualmente reduzida nas últimas semanas e na segunda-feira ontem caiu para 5%: as ordinárias fecharam em R$ 21,59 (ganho de 5,37%) e as preferenciais, em R$ 22,7 (queda de 2,78%).InvestigaçõesRumores sobre mudanças no controle da empresa circularam no mercado nas últimas semanas. Em meados de dezembro, um número atípico de operações em um único dia chamou a atenção da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) que, na época, afirmou que a questão seria analisada.?Causa certa estranheza o fato de a empresa ter declarado na sexta-feira, após a publicação de reportagem sobre a operação no jornal Valor Econômico, que estava estudando o assunto e, agora, divulgar todos os detalhes?, diz Elaine, da BES Securities.

Agencia Estado,

20 de janeiro de 2006 | 17h33

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