Divulgação
Divulgação

coluna

Dan Kawa: Separar o ruído do sinal é a única forma de investir corretamente daqui para a frente

'Mecanismo dá fôlego a negócios e garante emprego'

Moedas sociais permitem a manutenção de pequenos negócios e empregos nas comunidades mais pobres, diz economista

Entrevista com

Juliana Inhasz, economista, professora do Insper

Eduardo Rodrigues e Fabrício de Castro, BRASÍLIA

18 de julho de 2020 | 21h00

Mais do que garantir recursos imediatos para pessoas de baixa renda, as moedas sociais permitem a manutenção de pequenos negócios e empregos nas comunidades mais pobres. Esta é a avaliação da economista Juliana Inhasz, professora do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper). Leia a seguir os principais trechos da entrevista: 

As moedas sociais estão ajudando a economia de comunidades de baixa renda?

Essas moedas ajudam muito as comunidades, porque são usadas por pessoas que têm uma renda pequena. Elas circulam em um ambiente restrito, mas permitem aplicações dentro desse local. A existência da moeda social não cria uma garantia, mas cria certo incentivo para que a renda seja reinjetada dentro da própria comunidade. Em vez de o cidadão comprar produtos em outros locais, ele tem o incentivo para comprar no comércio local, o que ajuda a desenvolvê-lo. O auxílio emergencial do governo favoreceu o uso das moedas sociais porque, como as pessoas só conseguiriam sacar os recursos em 20 ou 30 dias, elas conseguiram antecipar os valores na forma de moeda social. É como se fosse um empréstimo, uma antecipação, e a moeda social será gasta no mercadinho da comunidade, na padaria, no açougue. Ter mecanismos como esse, que garantem a continuidade e o fôlego dos pequenos negócios em momentos de crise, é fantástico.

Comunidades que têm moedas próprias estão enfrentando a crise de forma mais eficiente?

Acredito que sim. Com a moeda, há o incentivo para que as pessoas gastem o dinheiro dentro da própria comunidade. O fato de hoje a pessoa não ter o dinheiro em reais, mas poder antecipar o auxílio emergencial, é um grande benefício. Em vez de comprar no hipermercado, que só aceita o real, a pessoa compra no mercadinho da esquina, que aceita a moeda social. Assim, as comunidades estão antecipando os benefícios para as pessoas, via moeda social, para conseguir que os negócios do bairro não quebrem. Evitar falências é um grande benefício.

Chamou atenção o fato de o uso de moeda social ter aumentado porque o governo, embora pague o auxílio emergencial, libera os recursos apenas conforme um cronograma preestabelecido. Isso não demonstra dificuldades do governo em chegar rapidamente nessas comunidades? 

De fato, o governo é ineficiente. Mas quando se está numa situação adversa como esta, você fica na dúvida sobre o que terá de fazer. A crise mostrou que o governo tem dificuldades para chegar nessa ponta mais necessitada da sociedade. E não é só dar dinheiro. É preciso dar condições para que as pequenas empresas sobrevivam, para que as comunidades sobrevivam e as pessoas consigam superar este momento, porque o auxílio emergencial vai acabar. A pessoa que recebe o auxílio na pequena comunidade vai precisar ter emprego daqui a pouco. Se o governo fomentasse a participação da sociedade em processos assim, elas poderiam se engajar mais e até pensar alternativas como esta que estamos falando, de moedas sociais.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.