Mediadores da OMC dizem que acordo comercial encontra-se à vista

Um acordo sobre o comércio globalaguardado há muito tempo encontra-se agora à vista, afirmaramna terça-feira mediadores para as negociações nas áreasindustrial e agrícola. No entanto, um dia depois de a Organização Mundial doComércio (OMC) ter divulgado novas propostas para os produtosagrícolas e industrializados, empresas e fazendeiros dos EUA eda União Européia (UE) protestaram devido ao fato de os textosrevisados não terem ido longe o suficiente para abrir osmercados dos países em desenvolvimento. "Qualquer um pode perceber claramente agora o cume quevocês estão tentando escalar", afirmou o embaixador da NovaZelândia na OMC, Crawford Falconer, que preside as negociaçõespara o setor agrícola. "Tivemos de atravessar a camada de nuvens e atingimos umaregião com baixa concentração de oxigênio, mas a missão agora éque, com base nisso, poderemos seguir adiante e concluir nossatarefa", disse em uma entrevista coletiva. Os textos revisados e divulgados na segunda-feirarepresentam o estágio mais recente da rodada de negociações deDoha, iniciada no final de 2001, mas desde então prejudicadapor desavenças entre as nações ricas e as pobres. O objetivo doprocesso é abrir os mercados mundiais e ajudar os países emdesenvolvimento a exportarem mais. Os novos textos criam novos caminhos para que um encontrode ministros acerte o esboço de acordo adotando as decisõespolíticas de peso a respeito da profundidade dos cortes nosimpostos e nos subsídios. Há ainda alguns detalhes a serem acertados, não há previsãosobre quando ocorreria esse encontro. As negociações no setor agrícola são fundamentais para todaa rodada de Doha, e as negociações nas outras áreas aguardam oresultado do diálogo sobre os produtos agrícolas, o que fez comque o embaixador do Canadá junto à OMC, Don Stephenson, quecomanda as negociações sobre os produtos industrializados,manifestasse frustração devido à ausência de progressos clarosaté agora. "O que me faz ter esperanças é que estamos chegando pertodo fim do processo. Estamos chegando em um ponto no qual asquestões agrícolas tornam-se claras o suficiente para garantira adesão de todos", afirmou, em uma entrevista coletiva. ELEMENTOS CENTRAIS Os elementos fundamentais de um acordo final, porém, nãoestão ainda claros. Os EUA cortarão os subsídios que distorcem o mercadoagrícola eliminando a concorrência dos produtores de paísespobres. A UE abrirá seus mercados de produtos alimentícioscortando os impostos cobrados nesse setor. E os países emdesenvolvimento abrirão seus mercados para as empresas demanufaturados vindas dos países ricos. Entre os demais elementos do acordo, estariam incluídos umaintensificação das trocas comerciais sul-sul e a liberalizaçãode setores de serviços como o bancário e o de telecomunicações. Os países em desenvolvimento desejam ficar isentos dealguns cortes fiscais a fim de proteger os que dependem de umaagricultura de sobrevivência e seus setores industriais aindafrágeis. Já os países ricos afirmam não poder convencer seusprodutores dos sacrifícios que os aguardam caso não consigamapontar algum ganho no acesso a mercados de outros locais. As negociações sobre os novos textos serão retomadas napróxima semana, e um encontro de ministros deve ocorrer algumassemanas mais tarde. Resta pouco tempo para que se adotem essas medidas, já queos negociadores precisam de vários meses para preencher oesboço de acordo a ser acertado pelos ministros. Os 152 países-membros da OMC acertaram concluir a rodadaaté o final deste ano, antes que haja a próxima mudança degoverno nos EUA, em 2009. Na Alemanha, maior economia da Europa e maior exportador domundo, o lobby empresarial chamado BDI disse que as novaspropostas tornam difícil a conclusão da rodada de Doha de formaambiciosa, conforme se desejava. "A Comissão Européia (Poder Executivo da UE) e ospaíses-membros da UE precisam pressionar pela redução dastarifas industriais nos países emergentes", afirmou CarstenKreklau, maior autoridade do BDI. "Uma redução adotada somente pelos países industrializadosé algo inaceitável."

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