Waldir Evora dos Santos/ Divulgação
Waldir Evora dos Santos/ Divulgação

‘Médias empresas podem ter ano recorde de fusões e aquisições’

Para Guilherme Stuart, projeção é que os volumes de transações nesse segmento possam chegar a um nível recorde neste ano

Entrevista com

Guilherme Stuart, sócio da RGS Partners

Fernanda Guimarães, O Estado de S.Paulo

29 de março de 2021 | 05h00

Com a liquidez do mercado levando mais empresas à Bolsa de Valores e com as companhias listadas de determinados setores registrando forte valorização, a despeito da pandemia, o mercado de fusões e aquisições (M&A, na sigla em inglês) envolvendo médias empresas, o chamado “middle market”, está bastante aquecido. Com muitas conversas e negociações na mesa, a projeção ainda é que os volumes de transações nesse segmento possam chegar a um nível recorde neste ano, segundo o sócio da assessoria de fusões e aquisições RGS Partners, Guilherme Stuart.

Como têm sido os negócios de fusões e aquisições no segmento de médias empresas nesse período de pandemia?

No ano passado, em março, abril e maio, as negociações pararam totalmente. A partir daí o mercado teve uma chacoalhada e não se sabia mais se comprador tinha virado vendedor ou se quem era vendedor virou comprador. O número de conversas nunca esteve tão alto desde então. Estamos trabalhando em muitos casos.

E a movimentação hoje das empresas, um ano após o início da pandemia?

A liquidez para empresas de médio porte está muitíssimo superior ao que era há dois anos. O volume de interessados é nitidamente maior. Os próprios IPOs (oferta inicial de ações, na sigla em inglês) agitaram o mercado e ajudaram a criar uma liquidez maior no “middle market”.

Quais setores estão mais movimentados?

No ano passado, 50% das operações que fizemos foram de “techs”, mas acredito que esse deixou de ser um setor apenas, já que passou a permear todos. Mas, tirando essa área “tech”, tivemos muitas operações em serviços financeiros e saúde.

Como está o interesse do investidor estrangeiro em relação a esse tipo de ativo?

Muitas pessoas dizem que, por conta da desvalorização do real, o Brasil ficou barato para o investidor estrangeiro. Mas, no caso das empresas médias, a desvalorização da moeda acaba deixando-as de fora do cheque mínimo para aporte para haver interesse desses investidores. E o câmbio desvalorizado não é necessariamente bom. O investidor não faz a compra para apostar no câmbio, mas sim no crescimento das empresas.

Os ruídos políticos atrapalham?

O ruído político tem atrapalhado muito. O caso da Petrobrás fez o mercado se dar conta de que ter um governo mais liberal na economia é algo que está muito distante. 

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