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'Medicina é evolutiva', diz Batista, da JBS, sobre estudo da OMS

Executivos das maiores empresas de alimentos dizem que estudo sobre carnes processadas não traz risco para o negócio

Renato Oselame , O Estado de S.Paulo

28 de outubro de 2015 | 02h04

Um dia depois de a Organização Mundial da Saúde (OMS) relacionar o consumo de carnes processadas com a incidência de câncer, os executivos das duas maiores empresas de alimentos do País, a JBS e a BRF, afirmaram que o estudo não representa um fator de risco para as companhias.

"O mundo se alimenta à base de proteínas há mais de mil anos", disse o presidente do conselho de administração da JBS, Joesley Batista, durante o Brazil Summit, evento da Economist, em São Paulo, com o apoio do Estado. Ele afirmou que respeita o estudo da OMS, mas complementou sua posição dizendo que "se de um lado descobrem causas e efeitos, a medicina, em compensação, é evolutiva" e pode produzir medicamentos e técnicas para lidar com as enfermidades.

Também questionado sobre o estudo, o presidente da BRF, Pedro Faria, afirmou que a empresa atua com uma "estratégia nutricional muito bem definida" para os alimentos, indo ao encontro "do que é saudável e da comida de verdade".

"A companhia foi fundada numa premissa que eu continuo a valorizar, que é a dos alimentos seguros e de qualidade. Inclusive o nosso fundador, Attilio Fontana, dizia que era o alimento que ele tinha orgulho de trazer para casa", disse. Ontem, as ações da BRF caíram 0,97% na BM&FBovespa e as da JBS subiram 2,7% no pregão.

Segundo a OMS, comer duas fatias de bacon por dia, ou 50 gramas de carne processada, aumenta o risco de desenvolver câncer em 18%. A entidade recomenda a redução no consumo de carnes como linguiça e presunto, que foram colocadas na mesma categoria cancerígena de álcool, amianto, cigarro e plutônio. Esses produtos estão classificados no grupo 1 de risco.

A recomendação, alvo de grande polêmica, ainda indicou que carnes vermelhas também representam ameaça. Mas, diante de evidências limitadas, foram colocadas no grupo 2A, que aponta para produtos "provavelmente cancerígenos". A OMS não nega que as carnes trazem benefícios para a saúde.

O maior problema estaria nas carnes que passaram por modificações para aumentar seu prazo de validade ou simplesmente para alterar seu gosto, até as com sal ou defumadas.

Anteontem, logo após a divulgação do estudo, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec) afirmou que as pesquisas da OMS têm contribuído para o desenvolvimento de diversas cadeias produtivas no Brasil e no mundo, mas que "é importante destacar os benefícios nutricionais à saúde" proporcionados por estes alimentos. Segundo a Abiec, fatores positivos do consumo da carne "foram comprovados por pesquisas científicas em todo o mundo". A entidade representa as companhias exportadoras de carne bovina no Brasil.

A Abiec disse que seus associados "se orgulham de prover aos consumidores do Brasil e do mundo um produto que continuará fazendo parte da dieta das pessoas por muitas gerações". Além disso, reiterou o compromisso das empresas "em oferecer sempre o melhor produto para o consumidor e continuar investindo no desenvolvimento de proteínas saudáveis por meio de ações que fomentam a segurança alimentar, a saúde do rebanho e, principalmente, a qualidade de carne".

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