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Medida cambial é a mais ampla e com grande poder, diz ex-BC

Para Luis Eduardo Assis, medidas significam 'mais prudência na política cambial'

Nalu Fernandes e Patricia Lara, da Agência Estado,

27 de julho de 2011 | 16h32

As medidas cambiais anunciadas pelo governo podem ser consideradas as mais amplas até agora, principalmente pela possibilidade de aumentar o IOF até 25%, afirma Luis Eduardo Assis, ex-diretor de Política Monetária do Banco Central. "Na prática, significa quase que aumentar (o tributo) indefinidamente". Para o economista, as medidas significam "mais prudência na política cambial".

Assis afirma que as medidas têm grande poder de interferência, ao alcançarem investidores estrangeiros e domésticos, e mostram que é "falaciosa a ideia de que não há o que fazer" no câmbio. "O governo mostrou que há o que fazer e há outros instrumentos que podem ser eventualmente acionados. Vemos hoje tentativa de refrear a valorização do real e que pode ser aperfeiçoada nos próximos dias. Interferência que foi amplamente antecipada pelo próprio governo", disse, ao AE Broadcast Ao Vivo. Para ele, o governo tem ferramentas diversas para atuar.

A flexibilidade dada ao CMN na definição de regras mais específicas para o mercado de derivativos, prossegue Assis, está mais voltada para a preocupação de ter um arcabouço amplo, para que o BC e o Ministério da Fazenda possam, ao longo dos próximos dias, ajustar as medidas em função da reação que o mercado esboçar a partir de agora. Assis avalia que um eventual aumento na margem de garantia adicional para contrato de derivativos é uma ingerência, mas argumenta que órgãos reguladores "existem exatamente para fazer esta ingerência nos negócios privados. Uma das razões pelas quais o Brasil passou quase que ileso pela crise de 2007 e 2008 foi o fato de que as autoridades brasileiras, em especial o BC, nunca embarcaram na ideia de autorregulação. O papel do governo é de fato interferir", afirmou.

Assis acredita que as medidas não comprometem a liquidez no mercado de câmbio. "(A medida) está longe de ser traumática, e o governo tem condições de fazer os ajustes que forem considerados necessários. Para quem tem posição vendida certamente não é boa notícia, mas seria pior do ponto de vista do País permitir especulação continuada com o real".

As medidas anunciadas hoje não são um exagero e não devem comprometer a liquidez no mercado de câmbio, na opinião do ex-BC. Elas ampliam a imprevisibilidade para a ação do governo. "Poder aumentar a qualquer tempo ainda mais o IOF amplia a imprevisibilidade que faz parte da lógica da iniciativa. Falamos de uma imprevisibilidade que inibe a especulação com o real, não de uma imprevisibilidade que signifique emperramento dos negócios", acredita. Assis estima que não há impacto significativo nas posições "genuinamente de hedge". "Se houver impacto, não será difícil de corrigir". O timing da medida, completa ele, foi adequado.

O economista prefere não antecipar os efeitos das medidas sobre o ritmo de apreciação da moeda brasileira, mas reitera que, "se não forem suficientes, o governo vai acionar novas medidas de tal maneira a evitar uma valorização excessiva do dólar". Assis aponta que o uso de medidas administrativas, ou macroprudenciais, envolve dificuldade de avaliar o real impacto delas. "O risco é exagerar, ir além daquilo que é o objetivo".

Na percepção do ex-BC, não houve exagero hoje. "O objetivo do governo é levar o dólar para a faixa entre R$ 1,58 e R$ 1,60 e, principalmente, estabilizar o dólar. É evidente que o objetivo disso não é promover desvalorização do real". O objetivo, menciona ele, é evitar que, no momento de uma mudança no cenário internacional, possivelmente entre 2012 e 2013, o câmbio não se torne um problema para o cenário inflacionário. "Para na hora em que a reversão das expectativas ocorrer, para na hora em que o alinhamento de planetas que explica esta enorme liquidez internacional deixar de ocorrer, o câmbio não seja uma má notícia para a inflação".

O retorno, disse ele, pode gerar pressão inflacionária no ambiente doméstico por meio do câmbio. "Uma valorização excessiva do real tem inicialmente impacto positivo sobre a inflação, mas o retorno pode ser muito amargo, na medida em que isso gera pressões inflacionárias, aumenta a volatilidade do mercado, gera grande nervosismo e, no futuro, poderia exigir aumentos ainda maiores da taxa de juros".

No entendimento do ex-BC, as medidas embutem preocupação voltada ao cenário externo, especificamente na hora da reversão de tendências no ambiente internacional. "Isso é muito prudente. É um sinal de cautela. Seria mais tentador usufruir dos benefícios de curto prazo de uma moeda cada dia mais valorizada. Pois do ponto de vista da inflação, isso é bastante benéfico".

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