Medida cambial é para 'colocar e tirar', diz Mantega

Ministro nega, porém, que vá retirar as medidas adotadas antes da crise para evitar real forte e mantém previsão de expansão de 4%

DENISE CHRISPIM MARIN, CORRESPONDENTE, WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

24 de setembro de 2011 | 03h08

"As medidas regulatórias são para se colocar e tirar. Temos vários tributos dessa natureza. Estamos sempre olhando todas as possibilidades. Mas não há nenhuma decisão tomada." Foi dessa forma que o ministro da Fazenda Guido Mantega comentou ontem a possibilidade de retirada das medidas adotadas nos últimos anos para evitar a maior valorização do real.

Com o agravamento da crise global, nos últimos dias o dólar se fortaleceu e chegou a ser contado a quase R$ 2. Na opinião de Mantega, a desvalorização do real é um movimento "temporário" e "normal", que tenderá a ser revertida. "Nós temos capacidade de fazer o mercado de câmbio funcionar de forma adequada", disse.

O ministro e o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, explicitaram a cautela do governo brasileiro ao lidar com a atual situação econômica. Durante conferência sobre a economia brasileira organizada pela Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos, Mantega disse que apenas em meados de outubro haverá maior certeza sobre a saída da crise da dívida soberana europeia ou seu agravamento e contaminação de todo o mundo. "Até lá, cada dia será uma aventura", afirmou. "Mas, o Brasil está agora mais preparado para enfrentar a crise do que em 2008. Há grande confiança no Brasil."

Mantega e Tombini, entretanto, também demonstraram faltar uma troca de análises entre os diferentes setores da área econômica. Mantega afirmou que não haverá revisão na estimativa de crescimento de 4,0% no PIB para este ano, divulgada pela Fazenda na última quarta-feira. Essa atitude será tomada somente se a crise for agravada. Tombini declarou estar agendado para o fim deste mês o anúncio da revisão da mesma taxa, com tendência para baixo, pelo BC.

Retorno antecipado. Ontem, o ministro da Fazenda antecipou seu retorno ao Brasil ao ser chamado pela presidente Dilma Rousseff para participar da reunião de coordenação do governo, na segunda-feira. Seu retorno estava previsto para o domingo. Hoje, depois da reunião do Comitê Monetário e Financeiro Internacional (IMFC, na sigla em inglês), ele deverá retornar a Brasília.

Mantega prometeu ontem levar adiante uma agenda de ajuste nas contas públicas a partir de 2012, como meio de permitir a continuidade da queda na taxa de juros básica sem o risco de escalada inflacionária. Conforme o ministro Guido Mantega, se o agravamento da crise econômica mundial vier a exigir novas medidas de estímulo à atividade no Brasil, a escolha do governo será por iniciativas na área monetária. Não haverá, portanto, incentivos fiscais. Mesmo diante da forte desvalorização do real nesta semana, Mantega esquivou-se de sinalizar com a retirada das medidas de controle de fluxos de capital e de intervenção no mercado de câmbio adotadas nos últimos anos.

A estratégia de fortalecer o resultado fiscal será uma resposta do Brasil aos desafios impostos pelo "cenário mais otimista" da Fazenda para economia mundial: a preservação da atual crise crônica, marcada pelo crescimento estagnado e pela alta taxa de desemprego nos Estados Unidos, Europa e Japão. Para o cenário de aprofundamento da crise, com recessão nessas economias e turbulência no setor financeiro, as opções do governo não foram adiantadas.

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