Medida do BC suíço faz estragos no mercado

Corretora do Reino Unido entrou em insolvência e, na Nova Zelândia, outra faliu após a autoridade monetária acabar com limite para cotação do franco

LONDRES, O Estado de S.Paulo

17 de janeiro de 2015 | 02h03

Corretoras em todo o mundo estão enfrentando dificuldades depois da decisão do Banco Nacional da Suíça (SNB, o banco central do país) de remover o limite para a taxa de câmbio entre o franco suíço e o euro.

Uma grande corretora de câmbio dos Estados Unidos alertou que seu capital secou, uma corretora de varejo do Reino Unido entrou em insolvência e uma operadora de câmbio da Nova Zelândia faliu.

Órgãos reguladores do Japão, de Hong Kong, de Cingapura e da Nova Zelândia buscaram ontem informações das corretoras sobre o que aconteceu.

Os prejuízos vieram quando grandes bancos de atacado pararam de cotar as taxas do franco, a liquidez secou e a volatilidade disparou no mercado de câmbio, tornando impossível para as corretoras executarem operações enquanto as perdas se acumulavam. Muitas dessas corretoras ofereciam alavancagem de 100 para 1.

O franco suíço disparou 30% em relação ao euro em minutos depois que o SNB acabou com o limite do câmbio. O movimento surpresa causou grandes perdas para operadores que apostavam contra isso. Na Nova Zelândia, a Global Brokers informou que vai fechar as portas porque não pode mais atender às exigências de capitalização mínima dos órgãos reguladores de US$ 782.500.

Andrew Park, porta-voz da Autoridade dos Mercados Financeiros da Nova Zelândia, afirmou que o órgão regulador está buscando garantias de que os recursos dos clientes sejam protegidos e segregados.

O BC de Hong Kong, por sua vez, disse que está pedindo aos bancos informações sobre suas práticas de serviços online. Os reguladores de Cingapura também estão em contato com bancos e corretoras de câmbio.

No Reino Unido, a corretora de varejo Alpari entrou em insolvência. "Onde um cliente não pode recuperar suas perdas, ela é passada para nós. Isso forçou a Alpari a confirmar (...) que entrou em insolvência", declarou a empresa em nota.

Outra corretora britânica, o IG Group, disse enfrentar impacto negativo de até US$ 45,7 milhões depois do "extremo movimento" no franco.

A FXCM, maior corretora de câmbio de varejo nos EUA e na Ásia, afirmou em um comunicado que a volatilidade sem precedentes no euro em relação ao franco provocou perdas que a deixaram com um saldo negativo de capital de cerca de US$ 225 milhões.

Para evitar que as perdas fujam do controle, investidores e operadores frequentemente aplicam ordens automáticas de compra e venda quando as moedas se movem demais.

No entanto, o salto muito grande do franco aconteceu tão rápido que todos tentaram fechar suas operações ao mesmo tempo. A liquidez desapareceu, tornando impossível executar as operações e permitindo que as perdas se espalhassem. / DOW JONES NEWSWIRES

Tudo o que sabemos sobre:
O Estado de S. Paulo

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.