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Medida do BC valoriza ações de bancos médios

Nova regra estimula o repasse de dinheiro dos grandes do setor para os menores; papel do BicBanco subiu 4,74%

O Estado de S.Paulo

24 de dezembro de 2011 | 03h04

As ações dos bancos de pequeno e médio porte negociadas na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) se valorizaram ontem, em reação às medidas do Banco Central (BC) para que os grandes do setor repassem mais recursos para os menores. Os papéis do BicBanco, por exemplo, avançaram 4,74%, enquanto as ações do banco Pine ganharam 0,85% e as do Daycoval, 0,65%.

O presidente da Associação de Bancos Comerciais (ABBC), Renato Oliva, afirmou que, após as medidas do BC, os bancos grandes que não comprarem ativos de instituições financeiras menores podem perder dinheiro. A ABBC reúne justamente os bancos de menor porte do País.

Oliva argumenta que, para os grandes, será melhor comprar carteiras dos menores em vez de deixar os recursos parados no BC, onde não têm remuneração. "O grande banco que não fizer isso terá prejuízo", disse.

O BC reduziu a remuneração de parte do dinheiro que os bancos são obrigados a deixar no regulador, os chamados depósitos compulsórios. Atualmente, 100% desse dinheiro é remunerado pela taxa básica de juros (Selic). A partir de 24 de fevereiro, o porcentual cai para 73% e, em abril, para 64%.

Para Oliva, o BC tenta, com isso, evitar que os recursos do sistema financeiro fiquem concentrados em poucos grandes bancos, o chamado "empoçamento da liquidez", como ocorreu na crise de 2008/2009.

Com a queda da remuneração no compulsório, é mais vantajoso para os grandes bancos comprar ativos de bancos menores, que pagam taxas maiores, normalmente acima da variação do Certificado de Depósito Interfinanceiro (CDI), taxa de juros de referência do sistema financeiro. As letras financeiras, espécie de debêntures criadas pelo governo para os bancos captarem recursos de longo prazo, devem ser os ativos mais procurados.

Vários bancos menores têm feito emissões privadas de letras, mas ainda de valores modestos. A expectativa é de que essas operações cresçam e virem fonte importante de captação para os bancos menores.

"É uma medida fortíssima para prevenir o empoçamento", destacou Oliva. Para ele, por causa da ausência de educação financeira de boa parte da população, a maior parte dos depósitos a prazo são direcionados para poucos grandes bancos, que concentram as aplicações de CDB, fundos de investimento e outros investimentos.

Os bancos médios estão com um projeto de mudar isso e mostrar que CDB de instituição financeira de menor porte também é atrativo. Até R$ 70 mil, o CDB é garantido pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

A medida do BC pode liberar R$ 29 bilhões para os menores. Isso porque o total de compulsórios que pode ser direcionado para compras de ativos de bancos menores soma R$ 60 bilhões. Segundo o BC, desse total, cerca de R$ 31 bilhões foram efetivamente direcionados. / A.S.J.

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