Medida não impede investimento estrangeiro, diz Tombini

O presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, disse que o Brasil continuará atraindo investimentos, apesar das medidas publicadas hoje para conter o fluxo de capitais e assim tentar evitar a desvalorização do dólar ante o real.

DANIELA AMORIM, Agencia Estado

27 de julho de 2011 | 13h17

"O investimento estrangeiro responde a fatores estruturais, condições de longo prazo que não são afetadas por essa medida. Inclusive, tornam o Brasil ao longo do tempo um paradeiro mais seguro para o investimento produtivo, os investimentos em infraestrutura, os investimentos diretos estrangeiros. O Brasil continua sendo um país receptivo aos investimentos diretos estrangeiros e essa medida vem no sentido inclusive de fortalecer essa marca da economia brasileira", afirmou Tombini, que participou de uma palestra na Escola Superior de Guerra, no Rio de Janeiro.

O presidente do BC disse que o órgão continuará atuando para mitigar possíveis riscos à economia brasileira provenientes da entrada excessiva de capitais.

"O Banco Central tem agido no sentido de conter os possíveis desdobramentos, possíveis riscos que uma entrada seja de fluxos ou de posições na moeda brasileira pode representar, então tem agido no sentido de conter esses fluxos, atuando sobre as posições vendidas dos bancos, agora essa medida sobre a exposição nocional em derivativos", afirmou Tombini.

"Num momento em que as condições internacionais iniciarem uma normalização, tanto no setor monetário quanto financeiro, nós não teremos surpresas no País. Então, nós temos atuado e continuaremos a atuar, quando for o caso, para reduzir, mitigar esses riscos potenciais à economia brasileira. A economia brasileira sai mais forte com essa medida".

Dívida dos EUA

O presidente do Banco Central disse hoje que tem acompanhado os riscos de um possível rebaixamento da nota de classificação de risco de crédito dos Estados Unidos, mas que acredita que a discussão sobre a elevação do teto da dívida americana será resolvida, sem impactos maiores sobre a economia mundial e sobre o Brasil.

"Nós estamos entendendo que essa questão será resolvida a tempo, no sentido de que não haja interrupção no pagamento da dívida americana, essa é a visão do Banco Central, é a visão do Brasil. Obviamente que nós acompanhamos a situação com atenção e veremos aí os desdobramentos nos próximos dias. Mas a nossa conclusão hoje é de que a situação será superada", afirmou Tombini.

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