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Marcos De Paula/Estadão
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'Medida vem em momento muito inoportuno para o Brasil'

O anúncio do banco central chinês foi uma surpresa?

Entrevista com

Carlos Langoni, diretor do Centro de Economia Mundial da FGV

Vinicius Neder , O Estado de S.Paulo

12 de agosto de 2015 | 02h02

RIO - O economista Carlos Langoni, diretor do Centro de Economia Mundial da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e ex-presidente do Banco Central (BC), afirma que a desvalorização do yuan "vem num momento muito inoportuno" para o Brasil. Segundo ele, é um sinal de enfraquecimento da economia chinesa. A seguir, os principais trechos da entrevista.

Foi uma surpresa, mas não improvável. Parece um valor pequeno para os nossos padrões, mas, para a maneira como a China controla sua moeda, é uma desvalorização bastante forte. Na verdade, essa decisão é um sinal de enfraquecimento da economia. A China vem num processo de desaceleração e a forma como essa perda de fôlego de crescimento vai se desenvolver é fundamental para a economia mundial. O cenário ideal é a 'aterrissagem suave', em que a economia parece estar convergindo para 5% a 6% (de crescimento ao ano), pois atualmente está em 7%. A grande preocupação é que, em vez de um processo gradual, previsível e inevitável de desaceleração, haja uma queda mais abrupta.

O que a decisão de ontem sugere sobre o crescimento chinês?

A estratégia do novo governo chinês é sair do modelo que dependia exclusivamente de exportações e de investimentos para um modelo mais dependente do consumo interno. A desvalorização é surpreendente porque vai na contramão dessa transição. Ao desvalorizar o câmbio, o governo chinês está voltando a estimular a exportação, que, aliás, teve uma queda de mais de 8% em julho.

Qual o efeito sobre o Brasil?

Esse ajuste cambial vem num momento inoportuno. Ele encontra a economia brasileira vulnerável, com um ajuste ainda incompleto, no meio de uma forte tensão política. Na verdade, no caso brasileiro, muito intensivo em commodities, o impacto é direto. A China é hoje o maior mercado para as exportações brasileiras, é seu principal parceiro comercial e caminha para ser também um grande parceiro em termos de financiamento, principalmente em projetos de infraestrutura. Esse aparente enfraquecimento chinês tem impacto direto porque reforça a tendência baixista das principais commodities, das quais o Brasil depende para manter as exportações.

Qual o efeito sobre o real? O que o Banco Central deve fazer?

É mais um complicador. Numa situação ideal, estaríamos entrando o 2.º semestre com o ajuste fiscal implementado, com as medidas estruturantes sendo já contabilizadas e, portanto, com um espaço maior para a política monetária. Isso não aconteceu. Com a economia brasileira numa trajetória de recessão mais aguda do que se imaginava, o espaço para usar os juros como instrumento indireto de controle do câmbio é muito limitado. Talvez mais um pequeno ajuste na taxa de juros ainda seja necessário, mas o BC vai ter de voltar a intervir no mercado de câmbio, ainda que não desejasse.

Tendência é de alta no câmbio?

Esse movimento chinês reforça o viés de valorização cambial não só diretamente, mas também indiretamente, porque sinaliza commodities em baixa. No caso brasileiro, a correlação é muito forte entre preço das commodities e taxa de câmbio. O BC poderá trabalhar apenas para que esse processo seja feito de forma gradual, moderada e ordenada.

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