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Medidas cambiais e fiscais logo terão de ser mudadas

Os membros do governo que participaram da reunião do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial voltaram muito pessimistas de Washington e rapidamente adotaram medidas para melhor enfrentar o agravamento da crise.

O Estado de S.Paulo

28 de setembro de 2011 | 03h06

Agora, apesar das manifestações de júbilo e firmeza do ministro da Fazenda, Guido Mantega, as autoridades monetárias começam a perceber que as medidas tomadas, tanto na parte fiscal como na cambial, foram apressadas e talvez produzam consequências contrárias às imaginadas.

Ninguém nega a necessidade da desvalorização do real ante o dólar, mas as medidas foram precipitadamente tomadas no momento em que a situação dos bancos na Europa se agravava. Naquelas condições, em que a aversão ao risco toma conta do sistema financeiro, podia-se imaginar que a recusa dos bancos a fornecer créditos não favoreceria a desvalorização do real no ponto desejado.

Ao criar o IOF sobre operações de derivativos, sem levar em conta que isso atingiria operações de hedge, o governo bloqueou algumas entradas de capitais estrangeiros, inclusive de investimentos diretos, e tornou mais difíceis algumas exportações que não podem ser realizadas sem hedge.

Enquanto o ministro da Fazenda fica firme na sua decisão de não voltar atrás nas medidas tomadas para favorecer a desvalorização, o presidente do Banco Central, falando na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, foi prudente ao declarar que, "se identificarmos falta de liquidez no mercado cambial, atuaremos". Não escondeu que o fluxo de entrada de capitais de curto prazo secou de repente e que os empréstimos de longo prazo se tornam mais caros, anulando a vantagem conseguida com a desvalorização.

Registra-se, ainda, a predominância dos fluxos comerciais em detrimento do fluxo de capitais - mas isso ocorre antes que haja dificuldades para financiar as exportações. É preciso, portanto, rever as medidas cambiais.

A questão do IPI sobre veículos importados também levanta uma série de problemas. Sem dúvida, a medida contraria as normas da Organização Mundial do Comércio. De imediato, nos obriga a criar um regime especial para importações do Mercosul, embora seja provável que, diante da ameaça da suspensão de vultosos investimentos estrangeiros no setor automobilístico, tenhamos de revogar a medida. A ideia original era reduzir a carga tributária das empresas do setor que usam um nível elevado de componentes nacionais. O erro foi o governo não querer reduzir suas receitas.

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