Medidas cambiais sairão em duas semanas, prevê Furlan

O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Luis Fernando Furlan, garantiu nesta segunda-feira que até o final do mês algumas medidas já serão anunciadas visando uma reforma cambial. "As medidas atrasaram porque estávamos esperando o fim das volatilidades no mercado financeiro internacional que presenciamos. Agora que a situação se acalmou e a poeira baixou, acredito que em duas semanas a lei estará pronta", afirmou o ministro, que está em Berlim para participar de reuniões com empresários alemães. Em uma palestra para mais de 400 executivos e investidores, Furlan explicou que o Brasil precisa da nova lei para dar competitividade até mesmo para as empresas estrangeiras. "Enfrentamos leis do século passado e de uma situação que não existe mais. A nossa lei cambial é de 1937, um período de larga escassez de divisas", explicou Furlan aos alemães. Segundo ele, o superávit nas contas do País não vai terminar. "Por isso, precisamos de regras de cambio mais liberalizantes para dar maior competitividade", completou.Investimentos externosSegundo o ministro, o governo já prevê uma queda dos investimentos externos no setor agrícola para 2006. Ele afirmou que espera que outros setores, como o de construção civil, possam presenciar pelo menos algum aumento no volume de investimentos.A previsão inicial do governo era de receber cerca de US$ 15 bilhões em investimentos vindos do exterior. Mas Furlan reconhece que o governo está no momento recalculando essas previsões. "Estamos revendo os números", afirmou o ministro. Questionado se a queda em geral dos investimentos seria confirmada, Furlan se recusou a responder. "Vamos dar uma analisada durante este mês e depois veremos", afirmou. Na avaliação de Furlan, a queda de investimentos no agronegócio ocorre pelo menos por três fatores. Um deles seria a situação da safra, que não é favorável já há dois anos. O outro fator é a valorização do câmbio, que também não teria contribuído para a entrada de investidores. Por fim, os preços em queda das commodities agrícolas também reforçaram a tendência de queda dos investimentos. O ministro, porém, minimizou os efeitos das eleições na decisão dos empresários de investir no País. Mas para a Confederação Nacional das Indústrias (CNI), não há como dissociar a eleição e as escolhas de investimentos. "A queda dos investimentos se dá por causa do período eleitoral, pelo fraco crescimento da economia, que levanta algumas dúvidas sobre o caminho da economia e pelas faltas de reformas. A tendência, portanto, é que empresas segurem os investimentos", afirmou Osvaldo Douat, um dos diretores da CNI. Para os alemães, a queda de investimentos ainda tem relação com falta de acordos de proteção de investimentos e com a ausência de um acordo de bitributação.

Agencia Estado,

10 de julho de 2006 | 19h26

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