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Medidas de incentivo ao crédito derrapam

O pacote de medidas emergenciais de incentivo ao crédito, a "ofensiva" do governo para reanimar a economia, naufragou. A maioria dos programas anunciados pelo governo Lula - crédito para pequenas empresas, financiamento para eletrodomésticos, Modermaq - teve um efeito pífio ou nem saiu do papel. O governo esperava injetar R$ 6 bilhões na economia com os principais programas, mas acabou liberando cerca de R$ 500 milhões. Algumas iniciativas, como o empréstimo consignado para aposentados, anunciado no ano passado como "uma verdadeira revolução no sistema de crédito do País" pelo então ministro da Previdência, Ricardo Berzoini, ainda não entraram em vigor. Outros, como o microcrédito (não incluído no cálculo), que poderia usar R$ 1,6 bilhão dos bancos, acabaram emprestando pouco mais de R$ 300 milhões, segundo estimativas do mercado. "Não adianta ter programas de crédito, se a renda está em queda e os juros continuam altos. O trabalhador não vai querer se endividar", diz Raul Velloso, especialista em finanças públicas. "Fora isso, R$ 500 milhões é um valor insignificante diante do consumo dos brasileiros." Para o economista Joaquim Elói Cirne de Toledo, professor da Universidade de São Paulo, o governo errou ao optar por políticas contraditórias. "Temos um carro com dois motoristas - um breca e o outro acelera. Só que o motorista que breca é muito mais ágil." Segundo ele, não adianta injetar recursos para estimular a demanda, se o Banco Central continua brecando a economia. O programa de crédito para a linha branca, por exemplo, foi um fiasco: emprestou apenas R$ 9 milhões dos R$ 200 milhões do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). Sem demanda, foi suspenso no fim do ano passado. "A linha ajudou a reduzir as taxas no varejo, mas fracassou, pois havia muita burocracia para tomar os recursos e faltou divulgação", diz Paulo Saab, presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros). Já o programa de crédito para compra de material de construção foi exceção. No Banco do Brasil, a linha teve desempenho surpreendente: o FAT destinou R$ 200 milhões, mas o banco emprestou R$ 373 milhões, usando recursos adicionais. Na semana passada, por causa da alta demanda, o FAT liberou mais R$ 300 milhões. Já na Caixa, foram emprestados apenas R$ 4 milhões dos R$ 200 milhões do FAT. O programa não emplacou porque o banco já tinha duas linhas para material de construção - que cobram juros menores e são bem-sucedidas, emprestando quase R$ 1 bilhão de recursos próprios e do FGTS. "Não havia sentido criar mais essa linha na Caixa, foi uma decisão política", diz uma fonte. Mesmo assim, a injeção de R$ 377 milhões desde setembro não salvou o ano do setor. Pela primeira vez em dez anos, o varejo de material de construção encolheu, com recuo de 4%. "Temos vendas de R$ 34 bilhões por ano, infelizmente o crédito do governo não foi suficiente para provocar um impacto positivo", diz Cláudio Conz, presidente da Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção Civil (Anamaco). Já o microcrédito do BB não deslanchou. Os R$ 300 milhões da instituição para essa modalidade, equivalente a 2% do saldo de depósitos à vista, seriam usados no microcrédito do Banco Popular do Brasil (BPB). Mas o BPB, anunciado no fim de junho do ano passado, só começou a funcionar há um mês. Até então, o único microcrédito concedido pelo BB foram os R$ 20 milhões do Crédito Benefício, para aposentados e pensionistas do INSS.

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