Medidas dividem setor produtivo de trigo no RS

As medidas de desoneração de trigo anunciadas ontem pelo governo dividiram opiniões no setor produtivo gaúcho. O presidente da Comissão de Trigo da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), Hamilton Jardim, considerou que não trazem vantagem ao agricultor. "É simplesmente para dizer que (o governo) está preocupado com o preço do pão na padaria", acrescentou. Já o presidente da Federação das Cooperativas Agropecuárias do Rio Grande do Sul (FecoAgro), Rui Polidoro Pinto, considerou interessante a suspensão temporária da taxa de 25% sobre o frete destinada à renovação da Marinha Mercante. Ele lembrou que este é um pedido antigo do setor e a redução de custo do frete facilita o transporte de trigo do Rio Grande do Sul para o Norte ou Nordeste.A suspensão do PIS/Cofins de 9,25% sobre o trigo, farinha de trigo e pão francês até o final do ano também pode ter efeito indireto para o produtor, permitindo à indústria pagar um preço melhor pela matéria-prima ou repassar o benefício ao consumidor, calculou Polidoro. A prorrogação de 31 de julho para 31 de agosto na data permitida para importar até 2 milhões de toneladas de fora do Mercosul sem Tarifa Externa Comum (TEC) é uma preocupação, no momento em que o produtor prepara a safra de inverno, avaliou Jardim. "O Paraná começa a colher trigo no final de agosto", comentou. Desta forma, estão autorizadas importações "justamente quando o produtor faz a safra mais cara de sua história", relacionou. Para Polidoro, quando a safra paranaense começar a chegar ao mercado, não haverá mais importações sem a TEC.

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