Medidas do BC devem afetar pouco os bancos

As primeiras avaliações sobre as medidas anunciadas na sexta-feira pelo Banco Central são de que mesmo as grandes instituições terão de vender dólar para se adaptarem às novas regras. O BC já tinha elevado a exigência de capital para a exposição líquida em câmbio, de 50% para 75%, mas sem conseguir segurar a moeda.Na ocasião, os grandes bancos de varejo, que têm folga de capital, preferiram manter a exposição, arcando com uma possível redução do Índice da Basiléia. Dessa vez, no entanto, as medidas são mais drásticas, segundo os analistas.O diretor de Política Monetária do BC, Luiz Fernando Figueiredo, anunciou há pouco a redução do limite máximo de exposição cambial líquida de 60% para 30% do patrimônio líquido dos bancos. O BC também decidiu elevar de 75% para 100% a exigência de capital sobre a exposição líquida em câmbio das instituições.O pacote também inclui um aumento de 5% das alíquotas dos depósitos compulsórios à vista, a prazo e de poupança. Segundo Figueiredo, o aumento ocorre na alíquota adicional que já havia sido introduzida pelo BC há cerca de dois meses. "As medidas são fortes e é preciso estudar com cuidado o efeito sobre os bancos", disse o analista-chefe da Sudameris Corretora, José Cataldo.Para o economista João Augusto Salles, da consultoria Lopes Filho, as novas regras serão suficientes para dar um fôlego ao real. "O câmbio deve ter uma acomodação."Impacto seria de curto prazoO economista João Augusto Salles, da consultoria Lopes Filho, disse que, no curto prazo, as medidas do BC devem gerar um impacto negativo sobre as ações do setor bancário. Para ele, as instituições financeiras terão de vender dólar para se adaptarem ao novo limite máximo de exposição cambial, que caiu de 60% para 30%.As instituições financeiras também deverão vender um pouco de dólar para não comprometerem muito o Índice da Basiléia, já que a exigência de capital para a exposição líquida em câmbio passou de 75% para 100%. "É possível que as ações do setor caiam no curto prazo, até porque há uma série de outros fatores também negativos para o segmento, como as eleições e a reestruturação dos bancos internacionais."Salles acredita, no entanto, que o impacto não será grande, já que "os bancos privados nacionais têm ótimos fundamentos". Ele lembrou que a redução do limite de exposição cambial afeta apenas a posição em títulos cambiais das instituições.Os ganhos obtidos pelos bancos com o impacto da alta do dólar sobre o patrimônio no exterior estão garantidos. "É preciso destacar que as instituições também ganham muito com os juros, que continuam em patamar alto." O economista lembrou ainda que todas as grandes instituições têm provisões para oscilações de mercado.Papéis ainda estão sem tendênciaO movimento das ações do setor bancário na Bovespa mostra que analistas e investidores ainda fazem as contas sobre o impacto das medidas anunciadas pelo BC. Os papéis das instituições financeiras não apresentam uma tendência definida. Bradesco PN deixou a valorização registrada durante todo o dia para oscilar entre estabilidade e uma leve baixa.

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