Medidas do BC equivalem a dois pontos de juros

O diretor do Centro de Economia Mundial da Fundação Getúlio Vargas, Carlos Geraldo Langoni, considera que o Copom se preocupou com o ajuste fiscal para decidir hoje aumentar a Selic para 26,5% e o compulsório sobre depósitos à vista de 45% para 60%. Segundo Langoni, as medidas combinadas têm efeitos semelhantes a subir a Selic em dois pontos porcentuais, com a vantagem de não afetar tanto a dívida pública, já que o compulsório vai aumentar as taxas de juros para crédito a pessoas físicas e jurídicas, mas não os juros pagos pelo governo. Langoni avalia que o Copom considerou também que ainda não há certeza sobre a ocorrência de guerra no Iraque. "As medidas foram o mínimo e talvez sejam suficientes se não houver guerra, mas se a guerra acontecer, então o Copom será obrigado a subir os juros de novo", disse à Agência Estado.Ele considera que se não ocorrer guerra e passada a fase atual de alta do dólar e do petróleo por conta das expectativas de que haverá conflito, "talvez a inflação desça e chegue na meta", mas avalia que esse cenário tem pouca probabilidade de acontecer. Para Langoni, "é extremamente desconfortável essa inflação de 15% acumulados no IPCA e mesmo a expectativa média do mercado para este ano de 12%". Ele lembra que a inflação média em países emergentes é de 5%. Segundo Langoni, os únicos países que têm inflação de dois dígitos atualmente, além do Brasil, são Rússia (15%), Turquia (29,7%), Venezuela (31%), Argentina (41%) e Indonésia (10%). Langoni elogiou os novos diretores do BC. "O nível de qualidade da diretoria foi mantido", disse.

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