Medidas do BC não revertem expectativas de inflação

O aperto monetário anunciado na semana passada pelo Banco Central (BC) não foi suficiente para reverter a tendência de alta das expectativas de inflação do mercado. A mediana das expectativas para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) obtida em consulta semanal a um grupo de instituições financeiras e empresas de consultoria subiu de 11,99% para 12,06%, um porcentual ainda mais distante da meta de 8,5%. As projeções para 2004, por sua vez, ficaram estáveis em 8%. O porcentual, entretanto, é superior aos 5,5% de meta fixada para o próximo ano.O BC detectou uma outra elevação das projeções de mercado para o IPCA de fevereiro e março. As estimativas para fevereiro saltaram de 1,27% para 1,50% depois de estarem em 1,08% há um mês. As previsões de IPCA para março subiram, por sua vez, de 0,75% para 0,80%. Há cerca de um mês, as estimativas de inflação para março estavam em 0,70%. As revisões para cima das expectativas de inflação vêm sendo puxadas pela inércia da alta dos preços ocorrida no ano passado e pelos temores do impacto de um conflito bélico no oriente médio sobre a economia brasileira.As previsões para a taxa de juros no fim do corrente ano subiram, na mesma pesquisa, de 21% para 21,90% ao ano. Confirmada a previsão, os juros fechariam o primeiro ano do mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva num patamar próximo aos 22% praticados seis meses depois da desvalorização do real feita no início de 1999. As projeções para os juros ao final de 2004 ficaram estáveis em 17% ao ano, porcentual ainda acima do piso de 15,25% ao ano praticados no governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso em fevereiro de 2000.As estimativas de crescimento da economia para 2003, em contrapartida, subiram de 2% para 2,04%. O porcentual, entretanto, ainda está abaixo da projeção de 2,8% feita pelo Banco Central (BC) em seu último Relatório de Inflação. As projeções para o próximo ano ficaram estáveis em 3% de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB).As previsões de superávit da balança comercial em 2003, em contrapartida, subiram de US$ 15,90 bilhões para US$ 16 bilhões, dentro das estimativas divulgadas na semana passada pelo BC. O valor é US$ 3,1 bilhões maior que o resultado do ano passado. Para 2004, as projeções apontaram, no entanto, para uma estabilidade do superávit em US$ 16 bilhões.Veja o índice de notícias sobre o Governo Lula-Os primeiros 100 dias e a área econômica

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