Medidas do BC têm pouco efeito sobre dólar

O dólar mantém-se em queda hoje, influenciado pela mudança de regras anunciada ontem pelo Banco Central (BC). Agora, os bancos têm que aumentar o capital próprio de 50% para 75% da sua exposição cambial. Isso significa que as instituições que estiverem fora do novo limite devem vender ativos cambiais ou aumentar o capital nos próximos cinco dias úteis. Espera-se que essa restrição à atividade no câmbio eleve a oferta de dólares e faça as cotações caírem. O recuo, no entanto, ficou aquém do que esperavam os especialistas. O motivo apontado para a sustentação do dólar em níveis ainda altos são os vencimentos públicos e privados de dívida cambial nos idas 17 e 23, , os maiores do ano, totalizando US$ 4,7 bilhões, além de US$ 2 bilhões em compromissos privados vencendo neste mês.Segundo os operadores, além da mudança de regras, o dólar caiu porque a intervenção do BC no mercado à vista hoje foi forte. A autoridade monetária manteve-se presente consultando as mesas de operações durante todo o período, mas o mercado não sabe avaliar o quanto disso realmente resultou em venda de divisas.Além disso, os investidores dirigiram grande parte de suas atenções aos leilões desta manhã. Um deles é a repetição da tentativa de rolagem feita na sexta-feira e que foi 100% frustrada. Hoje, as expectativas do mercado sobre a operação melhoraram e dois especialistas de grandes bancos consultados pela Agência Estado ao final da manhã apostavam que pelo menos parte das propostas feitas pelo mercado será aceita. Eles explicam, inclusive, que os bancos que precisam diminuir a posição comprada para se enquadrar à nova regra anunciada ontem podem usar o leilão de hoje para obter esse fim.Quanto à eleição, a indefinição política é um fato que prejudica a normalização dos negócios. Apesar de o candidato preferido do mercado, José Serra (PSDB/PMDB), ter passado ao segundo turno, a ampla vantagem de votos de Lula (PT/PL) sobre o tucano desanima os investidores. Segundo o diretor de uma corretora, continuam as apostas na vitória de Lula no dia 27, ou seja, cotações em nível mais pessimista.Já há expectativa com as próximas pesquisas eleitorais. O Datafolha vai fazer uma sondagem no dia 11, sexta-feira, com 4.100 eleitores de todo o País. Além disso, já registrou uma outra pesquisa, que será feita por telefone, entre os dias 10 e 25 de outubro. Ao mesmo tempo, os investidores mostram preocupação com o novo Congresso eleito, que se destaca pelo forte crescimento da oposição, trazendo maiores chances de mudanças na política econômica que possam prejudicar os resultados dos investimentos.MercadosÀs 15h, o dólar comercial era vendido a R$ 3,7050, em baixa de 0,80% em relação às últimas operações de ontem, oscilando entre R$ 3,6700 e R$ 3,7350. Com esse resultado, o dólar acumula uma alta de 59,97% no ano e 17,25% nos últimos 30 dias.No mercado de juros, os contratos de DI futuro com vencimento em janeiro de 2003 negociados na Bolsa de Mercadorias & Futuros pagavam taxas de 20,360% ao ano, frente a 20,480% ao ano ontem. Já os títulos com vencimento em julho de 2003 têm taxas de 25,800% ao ano, frente a 25,850% ao ano negociados ontem.A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) operava em queda de 0,38% em 8829 pontos e volume de negócios de R$ 249 milhões. Com esse resultado, a Bolsa acumula uma baixa de 34,93% em 2002 e 9,09% nos últimos 30 dias. Das 50 ações que compõem o Ibovespa - índice que mede a valorização das ações mais negociadas na Bolsa -, 16 apresentam altas. Mercados internacionais Em Nova York, o Dow Jones - Índice que mede a variação das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - operava em alta de 1,81% (a 7556,6 pontos), e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York - sobe 1,47% (a 1135,80 pontos). O euro era negociado a US$ 0,9772; uma queda de 0,56%. Na Argentina, o índice Merval, da Bolsa de Valores de Buenos Aires, estava em baixa de 0,65% (400,74 pontos). Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

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