Medidas do governo estão na direção certa, diz Setúbal

O presidente da Associação Nacional dos Bancos de Investimentos (Anbid), Alfredo Setúbal, disse que a maior preocupação das instituições financeiras é a de que o governo adote medidas para a redução do spread de forma precipitada. Após almoço de dirigentes da Confederação Nacional de Instituições Financeiras com o ministro Guido Mantega (Fazenda), Setúbal afirmou que os bancos estão preparados para a concorrência, e as medidas serão positivas para o setor. "O sistema financeiro, os maiores bancos, estão todos preparados para a concorrência. Estamos falando de oito, dez bancos grandes, muitos internacionais, acostumados com a competição. O medo não é esse. O medo é de causar transtorno, da precipitação. Essas normas são complicadas, mexem com estoques de ativos já realizados. Temos que tomar cuidado", ponderou Setúbal.Na avaliação dele, as medidas estão na direção correta. "O sistema financeiro é a favor. A discussão com o governo é para evitar transtornos até para os clientes. As medidas precisam ser bem pensadas para não causar mudanças para trás", insistiu ele.Setúbal disse ter saído do encontro com Mantega com a percepção de que o governo só adotará as medidas que estiverem realmente prontas, sem precipitação. "A minha percepção é a de que o ministro está tranqüilo. Ele vai soltar medidas na próxima semana somente daquilo que estiver pronto para sair. Aquelas que ele não sentir confortável para soltar ele não vai soltar", afirmou.O presidente da Anbid demonstrou preocupação com o risco de as medidas relativas a crédito consignado afetarem o estoque das operações já realizadas. "A lógica é que valham para os créditos novos e não os velhos. Isso foi discutido, porque, se mexer no estoque, é sempre complicado", alertou o dirigente da Anbid.Um dos problemas, disse ele, é com a comissão já paga aos chamados "pastinhas", representantes dos bancos que ganham comissão nas operações de crédito fechadas. "É o famoso ´pastinha´. Ele ganha comissão. O banco pagou comissão para ele, que trouxe um crédito, que vai embora. Então, não dá. Fazendo isso para o fluxo, é mais fácil. Não tem tanto problema. A figura do ´pastinha´ não sumiria, mas se saberia que o cliente pode sair no mês seguinte. Dessa forma, a comissão se negociaria de outra forma", disse Setúbal. CautelaO presidente da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Márcio Cypriano, afirmou que a transferência de crédito precisa ser analisada com cuidado. Na avaliação dele, a medida deve valer para novas operações de crédito e não para as já realizadas. "A transferência do crédito das pessoas é uma coisa que tem de ser analisada com mais cautela. Pequenos e médios bancos têm despesa inicial muito grande para fazer operações de captação. Quer dizer, vai ter despesa de custo fixo grande, e não vai ter como recuperar antes de três, quatro, cinco, seis ou 12 meses. Então, são pontos que temos de examinar e, talvez, pensar nas novas operações. Outro problema é o estoque", afirmou Cypriano.Ele acrescentou que a redução dos spreads interessa a todos. "Quando tiver taxa de juros mais baixas, vai ter mais operações de crédito para fazer e uma inadimplência bem menor", disse. Cypriano voltou a defender uma redução nos depósitos compulsórios. "A gente entende que, gradativamente, poderia reduzir compulsório, e teríamos redução da taxa de juros. Esse pleito a gente tem feito sempre, mas não está sendo discutido nessas medidas", afirmou, referindo-se às medidas que o governo deverá anunciar nos próximos dias. Exame O vice-presidente do Conselho de Administração do Bradesco, Antônio Bornia, alertou que as medidas para incentivar a redução do spread e dos juros bancários devem ser adotadas somente depois de um exame adequado. "É necessário exame melhor e adequado. Tem que considerar o estoque de posições dos ativos e passivos, olhando a sua origem, como o seu custo", disse ele. Bornia deixou o almoço com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, na Confederação Nacional das Instituições Financeiras (CNF), com a avaliação de que o governo vai adotá-las com cautela, resguardando os interesses tanto de quem empresta, como dos tomadores do crédito. " As medidas que o governo adotará vão preservar os direitos da entidades financeiras e dos tomadores", disse ele.Questionado se as instituições saíram mais tranqüilas da reunião, Bornia respondeu: "Não tem dúvida. O encontro foi bastante produtivo, positivo e creio que as medidas e sugestões feitas vão ser avaliadas".

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