Medidas estruturantes do agro ficarão para próximo governo

As chamadas medidas estruturantes para o agronegócio brasileiro devem ficar para o próximo governo. O ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, disse nesta sexta-feira que as ações que dependerem de questões tributária e fiscal não devem sair este ano. Rodrigues está mais otimista quanto ao seguro agrícola e para desastres naturais, que pode sair até dezembro. O ministro visita neste momento a Feira Internacional da Cadeia Produtiva de Carne (Feicorte), em São Paulo.O pacote estruturante é um complemento às medidas emergenciais anunciadas em 25 de maio, quando o governo destinou R$ 60 bilhões de crédito para a agricultura em 2006/07 (aumento de 12,5% sobre o valor programado para a safra passada, que foi de R$ 53,3 milhões). As medidas são um pedido antigo dos produtores. Entre as reivindicações estão a desoneração tributária do óleo diesel e de insumos como defensivos e fertilizantes, a permissão para importação de agroquímicos genéricos, garantia de preços mínimos reais e investimento em obras de infra-estrutura, como melhoria de portos, construção de estradas, etc.Boa vontade O ministro ressaltou que há boa vontade do Ministério da Fazenda nas discussões de uma reforma mais abrangente nas políticas para o agronegócio, cujo objetivo seria o de resolver os grandes gargalos do setor. "Existe a compreensão de que a crise agrícola afeta outros setores da economia", afirmou, sobre o ministro Guido Mantega. Ainda assim as negociações devem se estender. Ele lembrou que em 2005 os dois únicos Estados que tiveram recuo na economia - Paraná e Rio Grande do Sul - são Estados eminentemente agrícolas. Em 2006, outros Estados deverão se juntar aos dois como, por exemplo, os do Centro-Oeste. Quanto ao impacto que as medidas emergenciais podem ter no Produto Interno Bruto (PIB) agropecuário deste ano, Rodrigues disse não acreditar que haverá alguma recuperação. "Além da redução na área cultivada tivemos queda no padrão tecnológico. Este ano foi o fundo do poço mesmo", disse. Mas ele não quis dar números já que as safras de café, cana e laranja, que começaram há pouco, podem contribuir ainda de forma positiva para o resultado do ano.

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