Medidas para conter queda do dólar serão aprovadas na 4ª

Investidores não estão certos de que o pacote cambial terá o feito desejado

Da Redação,

11 de março de 2008 | 19h30

As medidas do pacote cambial para conter a desvalorização do dólar serão aprovadas nesta quarta-feira pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) e devem ser anunciadas no mesmo dia pelo Ministério da Fazenda. Algumas medidas já são esperadas, como o fim da cobertura cambial (exigência de que as receitas com exportação sejam internalizadas no País. Hoje, o governo permite que apenas 30% dos recursos sejam mantidos no exterior). Medidas para conter a queda do dólar contudo, não anima os analistas. Eles acreditam que esse é um problema relacionado à crise norte-americana e as medidas podem ter efeito limitado.           Veja também:   BCs atuam para ajudar mercado de crédito Inflação da China excede previsões e sobe a 8,7% em fevereiro Petróleo bate novo recorde e chega a US$ 109 em Nova York Animadas após anúncio de BCs, bolsas européias fecham em alta ESPECIAL: Preço do petróleo em alta O sobe e desce do dólar  Entenda a crise nos Estados Unidos   Veja os efeitos da desvalorização do dólar   Outra medida esperada, mas não confirmada pelo ministro da Fazenda Guido Mantega, é a possibilidade de criação de alíquota de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para os dólares que entram no Brasil em investimentos financeiros. O estrategista-chefe para América Latina do WestLB, Alexandre Lintz, afirma que o custo extra tende a ser marginal se repetida a alíquota de 0,38% criada para outras operações cambiais, como o ingresso de Investimento Estrangeiro Direto (IED).   Os próprios números do BC mostram que a taxação dos dólares não conseguiu barrar a entrada dos recursos. O ingresso de IED em janeiro de 2008, por exemplo, saltou 98,76% na comparação com igual mês de 2007 e atingiu US$ 4,184 bilhões. Isso aconteceu a despeito da alíquota de 0,38% de IOF criada como forma de compensar o fim da CPMF.   Para o sócio-diretor da MB Associados, José Roberto Mendonça de Barros, a desvalorização da moeda norte-americana no Brasil segue uma tendência que é mundial e está relacionada ao temor de uma recessão nos EUA. "O que comanda o valor atual é a turbulência externa", disse. "Sou cético quanto à existência de instrumentos para segurar o dólar. Isso é só com o tempo", disse em entrevista ao AE Broadcast Ao Vivo - serviço de informações da Agência Estado.   Reflexos no mercado   Apesar da expectativa de que o governo adotará medidas para reduzir a entrada de dólares no País e, com isso, conter a queda da moeda, o dólar comercial fechou em baixa depois de três sessões consecutivas de alta. No encerramento dos negócios, a moeda americana foi vendida a R$ 1,6850, em baixa de 1,23%.   O mercado cambial seguiu o bom humor dos investidores no mercado internacional, que foi puxado por uma ação conjunta de bancos centrais de várias regiões - Estados Unidos, Europa, Japão, Inglaterra e outros - Os BCs decidiram injetar recursos no mercado. O banco central dos Estados Unidos (Federal Reserve), por exemplo, disse que colocará R$ 200 milhões em operações de crédito.   A decisão fez com que o Dow Jones tivesse a maior alta em cinco anos - fechou em alta de 3,55%. A Nasdaq seguiu a mesma tendência e subiu 3,98%. No Brasil, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) colou no mercado americano e subiu 3,95%, fechando no patamar máximo do dia.   Críticas   Barros foi crítico e disse que a ação dos BCs não resolve a crise de confiança no sistema interbancário, mas era o que podia ser feito no momento. "É dever dos BCs desempoçar a liquidez para evitar uma crise bancária completa. Mas, como a causa não está resolvida, o problema também não foi resolvido", disse.   O economista-chefe para América do Norte do Merrill Lynch, David Rosenberg, também não está confiante. Ele disse que o novo programa não vai aliviar o atual aperto no crédito ou a recessão econômica.   As medidas dos Bcs têm por objetivo socorrer investidores que compraram títulos do mercado subprime - mercado imobiliário com alto risco de calote. Estes investidores tiveram que apresentar garantias de suas operações. É o que o mercado intitulo de chamada de margem. Para cobrir estas garantias e fazer caixa, eles começaram a vender seus ativos, o que provocou uma queda de todos os papéis. Para conter a onda de estresse no mercado, os bancos centrais aceitaram comprar estes títulos e, desta forma, impediram uma queda maior do valor dos papéis. No entanto, o pano de fundo desta crise ainda permanece. os investidores estão preocupados com uma potencial recessão nos EUA em meio ao forte aumento dos preços do petróleo e à crise no mercado de moradias. E, nas últimas semanas, as ações oscilaram com força nas duas direções.

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