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Medidas protecionistas disparam na Argentina

De 2008 para cá, aplicação de licenças não-automáticas sai de 150 para 404; Brasil é um dos mais afetados

Ariel Palacios, O Estado de S.Paulo

25 de dezembro de 2010 | 00h00

A ministra da Indústria da Argentina, Debora Giorgi, celebrou a disparada na aplicação de licenças não-automáticas por parte do governo da presidente Cristina Kirchner nos últimos dois anos.

Segundo a ministra, apelidada de "Senhora Protecionismo", o governo quase triplicou a aplicação deste mecanismo desde 2008. Naquele ano, quando Debora tomou posse da pasta, a Argentina aplicava licenças não-automáticas contra 150 produtos estrangeiros.

Atualmente, esse mecanismo que desestimula as importações é aplicado sobre 404 produtos. O discurso protecionista da ministra vai na contramão do espírito do Mercosul, cujo objetivo é formar uma união alfandegária.

Além de visar aos importados chineses, uma parte significativa dessas licenças é aplicada contra produtos Made in Brazil, entre os quais estão as máquinas agrícolas e os têxteis.

A ministra sustentou que, "desde a eclosão da crise internacional, estamos avançando na aplicação de medidas de defesa comercial contra a concorrência desleal e o monitoramento do fluxo de importações." Segundo Debora, a Argentina "continua avançando no processo de substituição de importações. E vamos continuar nesse processo".

A ministra sustentou que, graças às licenças não-automáticas "em 2010, a Argentina importou quase US$ 3 bilhões a menos do que em 2008". De acordo com ela, o Produto Interno Bruto (PIB) aumentou em US$ 3,5 bilhões.

"Isso tudo se traduz em mais empregos para os argentinos", afirmou. Todos aqueles que neste ano recuperaram seus trabalhos ou os mantiveram passarão este Natal com mais alegria", disse.

O caso das geladeiras. As licenças não-automáticas continuam sendo aplicadas, embora diversos setores da economia exibam uma taxa de crescimento sem precedentes na história argentina.

Esse é o caso das geladeiras, protagonistas da "Guerra das geladeiras" com o Brasil, em 2004. Na época, a produção argentina de geladeiras somente controlava 30% do mercado. Mas, graças às barreiras protecionistas, o setor ampliou a presença para 80% em 2010.

O setor de calçados, que durante uma década protestou contra supostas invasões de produtos brasileiros e alertava para a "depredação" da indústria nacional, passou de uma produção anual de 22 milhões de pares no ano 2000 para 105 milhões atualmente.

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