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Medo da desaceleração derruba bolsas, mas Bovespa destoa

Bovespa opera em alta de 1,15%. Em Nova York, o índice Dow Jones cai 0,99%. A Nasdaq recua 0,26%

Sueli Campo, da Agência Estado,

13 de agosto de 2008 | 14h46

Amparada por uma recuperação do preço das commodities, como petróleo e aço, a ação da Petrobras opera em forte alta nesta quarta-feira, 13, e sustenta a alta da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) acima de 1%. O movimento é contrário ao comportamento das bolsas internacionais que sofrem com a aumento do risco de desaceleração mundial. Veja também:Bolsas européias refletem crise de crédito em bancos e recuamDados ruins dos EUA trazem tensão e derrubam Bolsas européias Às 14h30, a Bovespa opera em alta de 1,15%. Em Nova York, o índice Dow Jones cai 0,99%. A Nasdaq recua 0,26%. Na Europa, o pessimismo também tomou conta do mercado. Em Londres, a queda foi de 1,55%. Em Frankfurt, o índice DAX caiu 2,49%. Em Paris, a baixa chegou a 2,56%. Em Milão, a baixa foi de 1,91%. Madri caiu 2,51% e Lisboa, 1,54%. O fato é que o mercado doméstico estava muito debilitado, com os preços das blue chips no chão, e ansiava por uma melhora, ainda que técnica. Nesse sentindo, veio a calhar - especialmente para Petrobras - o dado mostrando queda inesperada dos estoques de petróleo nos Estados Unidos em 400 mil barris na semana encerrada em 8 de agosto, para 296,5 milhões de barris, segundo o Departamento de Energia (DOE). A previsão média dos analistas era de variação zero. Após essa informação, o petróleo voltava a ganhar terreno e subia mais de 3% no pregão eletrônico da bolsa de Nova York (Nymex), sendo cotado acima de US$ 116 o barril. Com isso, as ações de Petrobras, que afundaram 3% no início do pregão, conseguiram voltar à superfície e ganhavam mais fôlego no início da tarde. As ordinárias (ON) disparavam 4,15% e as preferenciais (PN) +3,08%, sendo que estas últimas comandavam o giro financeiro do Ibovespa, com R$ 570 milhões negociados.  Os papéis da estatal caíram demais nos últimos dias. Hoje cedo, as preferenciais eram negociadas no nível de R$ 33,00, abaixo dos R$ 34,90 que valiam um dia antes do anúncio das reservas do pré-sal em Tupi, em 8 de novembro. No dia do anúncio, as ações encerraram o pregão na Bovespa em R$ 39,85, após baterem a máxima de R$ 41,74, conforme anotou a editora do AE Empresas e Setores Stella Fontes. Desde então, houve desdobramento dos papéis e as PNs atingiram a máxima histórica intraday, já considerando os preços nas bases atuais, de R$ 53,68 (em 21 de maio). "A indefinição sobre a Lei do Petróleo, o recuo nos preços do óleo e a saída do investidor estrangeiro, de um modo geral, da Bovespa, explicam esse recuo no preço da PN", afirmou o analista Nelson Rodrigues de Matos, do BB Investimentos. Analistas afirmam que os investidores já estão descontando do preço do papel a criação de uma estatal para cuidar do pré-sal, o que tiraria valor da Petrobras.  Na terça-feira, em evento no Rio, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a defender a alteração na Lei do Petróleo e afirmou que não é possível "deixar na mão de meia dúzia de empresas que acham que o petróleo é delas". "Precisamos mexer na lei. O petróleo não é do governo do Estado do Rio de Janeiro. Não é da Petrobras, é do povo brasileiro e precisamos discutir o destino deste petróleo", discursou. As ações da Vale renovavam as máximas no início desta tarde, espelhando a valorização dos metais, que por sua vez seguem o petróleo. Vale ON subia 5,46%, cotada a R$ 42,10, e a PN +4,57%.  Incertezas externas O comportamento do Ibovespa destoa de Nova York, onde prevaleceu o sinal negativo durante todo o tempo. As vendas lá são puxadas pelo petróleo em alta, por notícias ruins do setor financeiro e por indicadores macroeconômicos fracos. As vendas no varejo nos EUA caíram em julho pela primeira vez em cinco meses, sinalizando que o consumo, principal locomotiva da economia, começou mal o segundo semestre do ano. Os investidores estão assustados com a possibilidade de uma recessão mais ampla, após a contração anualizada de 2,4% do PIB japonês no segundo trimestre e queda de 0,5% na produção industrial da zona do euro em junho. Essa clima externo ruim no mercado deve durar algum tempo, na avaliação estrategista de ações de Brasil do Santander, Marcelo Audi. A economia daqui para frente deve piorar antes de melhorar, disse em entrevista hoje no AE Broadcast Ao Vivo. "Estamos vivendo um momento de desaquecimento cíclico da economia global e do Brasil", avaliou.  Perspectivas Embora a perspectiva para a Bovespa no curto prazo não seja das mais animadoras, a sua percepção segue relativamente positiva. "Minha convicção de que a bolsa irá continuar a cair é menor hoje do que em novembro do ano passado. Tenho uma avaliação mais atrativa e acredito que as ações brasileiras possam reagir no ano que vem", afirmou. A palavra de ordem do momento, no entanto, segundo ele, é paciência. "Por enquanto, é melhor assumir uma posição defensiva", recomenda. Para Audi, a bolsa pode chegar a 50 mil pontos, mas ele não vê espaço para perdas muito abaixo desse patamar. Segundo ele, a zona de conforto da bolsa atualmente está entre 50 mil e 55 mil pontos.

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