Medo da inflação reduz otimismo do consumidor

Essa impressão foi influenciada pelo aumento nos preços de alimentos e bebidas

Renata Veríssimo, Agência Estado,

28 de setembro de 2007 | 14h59

A possibilidade de aumento da inflação deixou os consumidores menos otimistas para os próximos seis meses, de acordo com o Índice Nacional de Expectativa do Consumidor (Inec) do terceiro trimestre, divulgado nesta sexta-feira pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).  O indicador ficou em 104,8 pontos, o que representa uma queda de 1,2% em relação ao segundo trimestre de 2007 e de 5,2% na comparação com o mesmo período de 2006. A maioria dos entrevistados, 55%, espera um aumento da inflação nos próximos meses. É o maior porcentual detectado pela pesquisa desde março de 2005. Já 15% apostam na queda da inflação e 30% acham que o índice não mudará. "Essa percepção dos consumidores certamente foi influenciada pelo aumento nos preços ocorridos a partir de junho, sobretudo no setor de alimentos e bebidas", afirma o documento da CNI. Desemprego e renda Também houve uma piora nas expectativas do consumidor em relação ao desemprego, à renda geral e à própria renda. A maior parte dos entrevistados, 54%, acreditam no aumento do desemprego, enquanto 27% apostam na queda e 20% julgam que o quadro atual será mantido.   A CNI destaca que a piora na expectativa chama atenção em função das recentes quedas no índice de desemprego e da chegada do fim de ano, que gera empregos temporários. Apesar disso, o entrevistado está otimista sobre a expectativa de evolução do próprio emprego em relação ao segundo trimestre de 2007.  Quanto à expectativa de evolução da renda, ambos os indicadores exibem ligeiro recuo na comparação com junho de 2007. Ainda assim, 40% esperam aumentar a própria renda nos próximos seis meses, 17% acreditam na diminuição e 44% acham que não terá alteração. O Inec também apurou que 32% acham que a renda geral do País vai aumentar nos próximos meses enquanto 28% esperam uma queda da renda e 40% não esperam alteração. Perspectiva favorável Mesmo com a piora dos números, a CNI destaca que o indicador de 104,8 pontos do Inec é maior do que o valor médio para terceiro trimestre. Por esse motivo, os técnicos da CNI acreditam que o crescimento da demanda manterá o ritmo atual. "Apesar do recuo, o INEC mostra a continuação de um quadro favorável nos próximos meses, com a manutenção do ritmo atual de crescimento da demanda do consumo das famílias", afirma a CNI. A pesquisa foi feita com base em entrevistas conduzidas pelo Ibope com 2.002 eleitores de 142 municípios entre os dias 13 e 18 deste mês.

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