Medo de desabastecimento impulsiona vendas de gás

A crise do gás provocou uma corrida aos pontos de venda de gás de botijão. A Agência Nacional do Petróleo (ANP) e as distribuidoras do combustível detectaram, no início desta semana, aumentos entre 20% e 30% nas vendas do produto em cidades das regiões Sudeste e Nordeste. Na avaliação do superintendente de abastecimento da agência, Roberto Ardenghy, o fenômeno foi provocado por consumidores querendo estocar botijões em suas casas com medo de desabastecimento de gás natural.Ele explica, porém, que não há qualquer relação entre o gás boliviano e o combustível vendido em botijões, que se chama gás liquefeito de petróleo (GLP). "Não há qualquer risco de desabastecimento de GLP. Cerca de 96% do mercado é abastecido com produto nacional e não há importações da Bolívia", diz Ardenghy. Segundo ele, a movimentação percebida essa semana lembra o que ocorre em períodos anteriores a aumentos de preços, mas não há nenhuma perspectiva de reajuste nesse momento.A maior parte do GLP consumido no Brasil é produzida a partir do refino de petróleo. Um volume pequeno é extraído do gás natural de campos nacionais. O gás boliviano já chega seco ao Brasil, ou seja, sem a porção líquida de onde se tira o GLP. Ardenghy avalia que uma corrida de grandes consumidores de gás ao GLP, que poderia causar problemas de abastecimento, é improvável, já que o preço do gás de botijão é mais alto e seriam necessários investimentos na adequação do maquinário de indústrias e comércio.

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