Medo de recessão nos EUA ganha força e Bovespa cai 6,6%

O aumento dos temores de recessão nosEstados Unidos derrubou os mercados acionários globais nestasegunda-feira e a Bolsa de Valores de São Paulo amargou a maiorqueda diária desde fevereiro do ano passado. Agora, o principalíndice da bolsa paulista acumula desvalorização de quase 16 porcento em 2008. O Ibovespa despencou 6,6 por cento neste pregão, para53.709 pontos, menor nível em quatro meses. No pior momento dodia, o índice recuou 6,99 por cento. Em 27 de fevereiro do ano passado, o indicador haviarecuado 6,63 por cento, em meio a preocupações com as economiasdos EUA e da China. O volume financeiro desta sessão foi de 6,1 bilhões dereais, inflado em 523 milhões de reais pelo exercício deopções. Apesar do feriado nos EUA em homenagem a Martin LutherKing, os mercados acionários no resto do mundo registraramfortes perdas em meio ao pessimismo com a economianorte-americana e à crença de que os bancos podem enfrentarmais perdas relacionadas à crise de hipotecas de alto risco. "É muito difícil saber (se o ajuste nas bolsas já foisuficiente). E justamente essa incerteza é que faz investidorestomarem posição mais cautelosa. Mas certamente nos balanços debancos e companhias seguradoras lá fora muita coisa (do impactoda crise) já está sendo reconhecido", afirmou oeconomista-chefe do Banco Itaú, Tomás Málaga. Na Europa, o principal índice de ações do continenteFTSEurofirst cedeu 5,79 por cento, aos 1.279 pontos. Foi amaior queda do índice desde 11 de setembro de 2001, dia dosataques aéreos contra os EUA. Na sexta-feira, o presidente dos EUA, George W. Bush,anunciou um pacote de estímulo econômico. Não foram dadosmuitos detalhes e o mercado não ficou animado com o plano daCasa Branca. SAÍDA DE ESTRANGEIROS O receio de uma recessão na maior economia do mundo têmaumentado a aversão ao risco. Diante desse cenário, o saldo deestrangeiros na Bovespa está negativo em 3,4 bilhões de reaisde 2 a 16 de janeiro, segundo as últimas informaçõesdisponíveis. A cifra já está perto da acumulada em todo o ano passado,quando o saldo de estrangeiros na negociação direta no mercadoacionário brasileiro foi negativo em cerca de 4,2 bilhões dereais. No Ibovespa, as blue chips Petrobras e Vale despencaram7,42 por cento e 11,3 por cento, respectivamente. Nesta manhã, a Vale anunciou que tem mantido negociaçõespara uma eventual aquisição da mineradora anglo-suíça Xstrata,num acordo que, se confirmado, poderia atingir mais de 100bilhões de dólares, segundo analistas. "Tudo indica que uma proposta realmente pode acontecer, masnão é uma tarefa trivial para a Vale. É quase todo o valor dacompanhia que estaria sendo colocado no negócio", afirmouRodrigo Ferraz, analista de mineração do Banco Brascan, no Riode Janeiro. Com a Xstrata, a Vale poderia adquirir grandediversificação em metais como cobre e níquel. Mas tambémpoderia estar mais exposta à volatilidade, o que poderia minarseu fluxo de caixa quando tiver de pagar os empréstimos para aeventual aquisição, segundo analistas. (Texto de Cesar Bianconi, Reportagem adicional de DanielaMachado)

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.