Medo de recessão se sobrepõe a corte do Fed

A queda dos juros americanos não teve forças para animar o mercado brasileiro, que está vivendo um dia negativo no day after da decisão do Fed anunciada ontem. A Bovespa abriu sem direção mas com inclinação de baixa, influenciada pelo fechamento do Nasdaq de ontem, em queda de 2,3%. Ao longo da manhã, as ações foram perdendo fôlego e, logo após as 13h, o Ibovespa operava em suas mínimas, com baixa superior a 2%. O volume de negócios, de R$ 284 mi às 13h14, projetava giro de R$ 670 mi para todo o pregão, próximo à média das últimas semanas. O mercado ainda aposta na retomada de uma trajetória de alta para a bolsa brasileira, que teve em janeiro desempenho melhor do que suas congêneres de Wall Street. Porém, analistas comentam que, depois que o Ibovespa chegou perto dos 18 mil pontos, o mercado tornou-se mais "pesado", ficando mais exposto à volatilidade externa e favorecendo quedas para realizações de lucros. O ponto mais apontado como motivo para a queda da bolsa hoje é o temor de uma recessão mais forte nos EUA. Alguns operadores fizeram leitura pessimista do corte dos juros do Fed de ontem, pois Greenspan teria mostrado com sua ação "rápida e firme" que está temeroso de uma desaceleração mais aguda do PIB americano, o que poderia afetar a recuperação da economia brasileia e, por tabela, abalar a bolsa doméstica. Esta percepção, embora ainda não se reflita fortemente nas bolsas americanas, foi reforçada hoje pelo NAPM, o índice dos gerentes de compra americanos - que ficou abaixo do esperado. A queda mais forte da bolsa no final da manhã chegou a suscitar comentários de que o mercado poderia estar acusando preocupação com o cenário político. O governo, pela primeira vez desde que começou a disputa entre o PMDB e o PFL, saiu chamuscado ontem depois que o PFL e a oposição derrubaram uma MP de interesse do Planalto. A maioria do mercado, porém, ainda relativiza as turbulências. No setor de telecomunicações, que acompanha hoje a entrega das propostas da licitação do Serviço Móvel Pessoal (SMP) das bandas C, D e E, as ações também registram alta volatilidade e a maioria opera em queda. A única surpresa veio da banda C. A TCO desistiu e a faixa recebeu proposta apenas da Serramby, que seria a Brasil Telecom. As bandas D e E, porém, terão disputa de sete consórcios cada uma. De maneira geral, considera-se que a licitação será menos concorrida do que o inicialmente esperado. Pode ser ruim para o governo, que contava com arrecadação elevada com os leilões, mas pode ser um bom negócio para as atuais operadoras: poderão pagar menos pelas licenças e não enfrentarão novos grandes concorrentes estrangeiros no mercado de celular.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.