Medvedev critica uso de grãos para obter biocombustível

O presidente da Rússia, Dmitry Medvedev, defendeu que os países optem por produzir biocombustível de fontes que não tenham fins alimentares para prevenir a ampliação da fome no mundo. "Defendemos a produção de biocombustível com outras fontes não alimentícias", disse Medvedev, em discurso na abertura do Encontro Global de Grãos, hoje, em São Petersburgo. "O desenvolvimento da bioenergia não deveria se tornar uma razão para o crescente déficit de grãos para necessidade alimentar", declarou Medvedev, ressaltando que alguns países ainda não se deram conta da importância da erradicação da fome.

AE, Agencia Estado

06 de junho de 2009 | 13h19

Os comentários, aparentemente, representam um ataque velado aos Estados Unidos, Brasil e à União Europeia (UE), que lideram a produção de biocombustível. "Muitos simplesmente se mostram resignados ao fato de que uma criança morre no mundo de fome a cada cinco minutos", afirmou.

A fome extrema, uma situação que atinge cerca de um bilhão de pessoas, "é o teste mais difícil para a humanidade", disse Medvedev, manifestando sua esperança de que o encontro sobre grãos possa fazer frente ao problema. Medvedev declarou que a Rússia está preocupada em relação aos desequilíbrios entre a oferta e a demanda de grãos, acrescentando que as nações deveriam criar sistemas preventivos de alerta para monitorar o mercado de grãos no futuro.

"Nós pretendemos fortalecer a posição no mercado mundial de grãos e dar apoio financeiro e organizacional nesse sentido", disse. O líder russo afirmou que o país está se preparando para começar a cultivar 20 milhões de hectares (49,5 milhões de acres) de terras que não eram usadas desde o início das reformas do mercado agrícola em 1990.

O diretor do Sberbank, maior banco em concessão de empréstimos na Rússia, German Gref, disse que assuntos pertinentes à segurança alimentar era mais importantes do que os relacionados aos problemas cambiais. A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentos informa que o número de pessoas em condições de fome extrema deve aumentar, drasticamente, em razão da crise econômica. As informações são da Dow Jones.

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