Medvedev diz que não houve acordo para retomar envio de gás

Com corte disputa pelo abastecimento, Rússia e Ucrânia são acusadas de fazer a europa de refém

AP e AE

17 de janeiro de 2009 | 14h22

O presidente da Rússia, Dmitry Medvedev, afirmou neste sábado, 17, que não houve acordo para restaurar o envio de gás natural russo à Europa através da Ucrânia. Medvedev disse que Moscou e Kiev manterão as negociações para encerrar a disputa que levou à paralisação. A primeira-ministra da Ucrânia, Yulia Tymoshenko, e funcionários europeus viajaram a Moscou para negociar o impasse de 11 dias.   O problema ocorre durante o frio inverno europeu, deixando casas sem aquecimento e forçando o fechamento de fábricas. Nações da União Europeia criticaram tanto Rússia quanto Ucrânia, por permitirem que uma disputa sobre preço, com conotações políticas, afete as entregas. Os dois países chegaram a ser acusados de fazer a Europa refém.   A rede de dutos ucraniana normalmente fornece cerca de 80% do gás russo que chega à Europa. "A principal tarefa agora é restaurar o fluxo de gás russo para a Europa", afirmou a primeira-ministra ucraniana antes de partir de Kiev. "A Ucrânia precisa mais que tudo disso, pois nossa imagem como país de trânsito foi afetada."   Porém os dois lados trocam acusações sobre o problema, sem solução iminente. Yulia, que se encontra com o primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, disse que chegar a um acordo seria extremamente difícil.   Putin, na Alemanha na manhã deste sábado, disse que a Rússia também quer a volta das entregas. Mas disse que Moscou estava apenas cuidando de seus interesses do que descreveu como roubo de gás russo da Ucrânia.   Funcionários do setor energético da UE e outros de algumas nações europeias se encontraram com o presidente russo, Dmitry Medvedev no Kremlin. Medvedev convocou todas as nações consumidoras de gás para discutir o problema em Moscou, porém nenhum chefe de Estado da UE disse que compareceria.   Putin e Yulia participariam do encontro no Kremlin após a reunião dos dois. A UE ameaçou rever as relações com as nações ex-soviéticas caso o problema permaneça. Já a Ucrânia acusa a Rússia de tentar controlar seus dutos.   A Rússia parou de enviar gás para uso doméstico da Ucrânia em 1º de janeiro, quando os países chegaram a um impasse sobre o preço a ser pago. Então os russos acusaram a Ucrânia de desviar o gás destinado à Europa e interromperam totalmente o fornecimento no dia 7.   A Rússia retomou parcialmente o envio do gás na terça-feira, após ambos concordarem que monitores da UE checariam os fluxos, porém o gás não chegou à Europa. A Rússia voltou a acusar a Ucrânia de bloquear o produto, enquanto Kiev acusa a Rússia de querer mandar o gás por uma rota que prejudicaria os consumidores ucranianos.   A Ucrânia também pede que a Rússia envie o chamado "gás técnico" necessário para fazer com que os compressores enviem o gás até a Europa. A Rússia insiste que esse combustível é uma obrigação da Ucrânia.   Na Alemanha na sexta-feira, Putin manteve encontros com líderes de empresas energéticas, a fim de formar um consórcio que forneceria esse gás técnico.   A Rússia e a Ucrânia têm uma relação tumultuada desde a Revolução Laranja, de 2004, na qual o presidente ucraniano, Viktor Yushchenko, subiu ao poder. Yushchenko quer que a Ucrânia ingresse na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e na União Europeia, o que desagrada Moscou.

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