finanças

E-Investidor: "Você não pode ser refém do seu salário, emprego ou empresa", diz Carol Paiffer

Megacampo iniciará produção apenas em 2013

O bloco responderá sozinho por um aumento de mais de 50% no nível atual de reservas brasileiras

Irany Tereza, da Agência Estado,

08 de novembro de 2007 | 21h04

A produção da nova reserva anunciada pela Petrobras nesta quinta-feira, 8, deve levar de seis a sete anos, segundo estimativa da própria empresa. Ou seja, a partir de 2013. Trata-se da maior jazida de petróleo do Brasil, com volume de reservas estimado entre 5 bilhões e 8 bilhões de barris, em área ultraprofunda na Bacia de Santos. O bloco, temporariamente chamado de Tupi (será rebatizado para um nome de peixe quando iniciar a produção), responderá sozinho por um aumento de mais de 50% no nível atual de reservas brasileiras, calculado em 14,4 bilhões de barris.   Veja também: Colunista Celso Ming explica a descoberta da Petrobras  Com descoberta, ações da Petrobras disparam mais de 10%  A exploração de petróleo no Brasil Entenda a crise dos combustíveis e o corte de gás Histórico da crise O mercado de gás no Brasil Preço do petróleo em alta      O megacampo, com óleo leve, de qualidade superior ao petróleo pesado da Bacia de Campos, está a uma profundidade de cerca de 6 mil metros da superfície, na chamada "camada de pré-sal". A Petrobrás confirmou que há ao menos outros oito fortes de indícios de existência de jazidas gigantes de petróleo em áreas ultraprofundas.   "O Brasil pode passar da categoria de nação intermediária ou pouco significativa na produção de petróleo para outro patamar. Reservas como essa podem transformar o Brasil num país exportador de petróleo", disse a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, após reunião extraordinária do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), na qual a direção da Petrobrás expôs em detalhes o potencial da camada de pré-sal, uma espécie de "segundo subsolo" das bacias petrolíferas.   O presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli, chegou a comentar que, confirmado o potencial desses blocos, o País passará a integrar o grupo dos nove maiores detentores de petróleo do mundo, que hoje inclui países com reservas entre 69 bilhões (Nigéria) e 379 bilhões de barris (Rússia). Hoje, o Brasil está na 24ª colocação. Gabrielli estimou que as reservas brasileiras podem se situar entre 70 bilhões e 100 bilhões de barris.   A megajazida não ultrapassa apenas em volume os atuais campos gigantes da Bacia de Campos. Também o óleo encontrado ali é de qualidade extremamente superior. Com 28 graus API (sistema internacional de gradação da qualidade do produto), embora não chegue ao nível dos melhores óleos árabes (com mais de 40 graus API), o petróleo de Tupi tem valor comercial bem superior à maior parte da produção nacional, concentrada em petróleo pesado.   "O Brasil está diante da descoberta de sua maior província petrolífera", afirmou Gabrielli. Segundo ele, Tupi é apenas "uma pequena parte da nova fronteira". A área é operada pela Petrobrás, que é majoritária (65%) numa parceria com a britânica BG (25%) e a portuguesa Petrogal-Galp Energia (10%).   Investimentos   O diretor de Exploração e Produção da Petrobrás, Guilherme Estrella, comentou que a estatal já detém tecnologia para extração do petróleo em profundidade como a de Tupi, mas lembrou que o custo é muito alto. Na Bacia de Campos, por exemplo, um poço perfurado a uma profundidade de 2 mil metros custa o triplo de outro que alcançou mil metros. Hoje, o custo de um poço de produção em águas profundas está em torno de US$ 1,5 bilhão. Numa área ultraprofunda como a anunciada, cada poço poderia custar três vezes mais, ou seja, US$ 4,5 bilhões.   Mesmo sem mensurar o volume de investimentos para desenvolver comercialmente o bloco de Tupi, Gabrielli afirmou que a descoberta alterará todo o plano de investimentos da estatal, que prevê, para o período de 2008 a 2012, recursos de US$ 112,4 bilhões. Ele lembrou que isso já ocorreria por conta de aumento de custos, mas agora será também por um crescimento considerável de obras.   O governo está convencido de que Tupi é a primeira de uma série de novas descobertas. "O Brasil mudou de realidade. Deve passar ao patamar em que estão os países árabes, a Venezuela e outros", afirmou ontem a ministra Dilma. Ela reforçou que o campo de Tupi "indica que teremos outros parecidos" e foi categórica ao declarar que já "modificamos o paradigma geológico brasileiro".   O diretor Guilherme Estrella explicou que estão sendo estudadas medidas de aproveitamento também do gás encontrado no campo de Tupi. Como está localizado a mais de 250 quilômetros da costa, o projeto de um gasoduto para trazer o produto ao continente é praticamente inviável. As alternativas de aproveitamento local incluem desde a utilização de navios gaseiros, para liquefação do gás até térmicas flutuantes, para gerar energia em alto mar e trazê-la para terra por cabos submarinos.

Tudo o que sabemos sobre:
EnergiaPetrobrasPetróleo

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.