Megacapitalização da Petrobras não valorizou ações

Um ano após o início da negociação das ações ofertadas na megacapitalização da Petrobras, os papéis da estatal seguem aguardando um catalisador que possa impulsionar seus preços.

LUCIANA COLLET, Agencia Estado

28 de setembro de 2011 | 09h03

Apesar de a operação ter resultado em um aporte de R$ 120 bilhões, com ela a Petrobras apenas recuperou o valor de mercado que registrava no início de 2010. De lá para cá, no entanto, as ações seguiram pressionadas, tendo perdido, em 365 dias, mais de 20% do valor, conforme dados da Economática. Ao longo desse período, pesou sobre os papéis a "mão forte do governo" e o acirramento da crise na Europa.

A ingerência política é o principal fator apontado pelos profissionais de mercado ouvidos pela Agência Estado para justificar a má performance dos papéis. Para Henrique Kleine, da Magliano Corretora, a própria capitalização não foi bem vista pelo mercado. "A capitalização foi empurrada goela abaixo e o acionista que tinha ações da estatal foi obrigado a acompanhar a oferta para não ser diluído."

Com a capitalização, o governo recebeu R$ 32 bilhões, o que colaborou significativamente para que registrasse superávit primário no ano passado, apesar do forte aumento das despesas.

O governo seguiu interferindo na Petrobras ao longo deste ano, e a estatal não repassou para o preço dos combustíveis a forte alta das cotações de petróleo observadas ao longo do primeiro semestre, em meio aos problemas políticos enfrentados no Oriente Médio e norte da África.

Mas não é apenas a ingerência política que preocupa, o volume de capital necessário para fazer frente ao programa de investimentos da companhia também acende o sinal de alerta. A Petrobras prevê investir US$ 224 bilhões nos próximos cinco anos e o mercado prevê que a estatal precisará de mais recursos se quiser executar seu plano.

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