Megainvestidor prevê até três meses de correção na Ásia

O megainvestidor em mercados emergentes e diretor-executivo da Franklin Templeton, Mark Mobius, disse nesta terça-feira, 6, que vê uma continuidade na correção dos mercados acionários da Ásia e uma possível extensão desse movimento pelos próximos dois a três meses. Embora possa durar um prazo razoável, a correção não preocupa Mobius, que a vê como natural, dado o mercado fortemente altista nos últimos anos. "Quando temos um ´bull market´ (especulação otimista) tem que haver uma correção em algum momento e isso está acontecendo agora", disse Mobius, que veio ao Brasil para a inauguração da operação da Franklin Templeton Investment no mercado local.Mobius, entretanto, não descarta a ocorrência de um "bear market" (especulação pessimista), que implicaria em uma correção superior a 20%. "Não vejo isto acontecendo agora, mas é uma possibilidade. Entretanto, continuamos acreditando que é um movimento temporário devido à sobrevalorização do mercado chinês", afirmou.O diretor da Franklin Templeton ainda ressaltou que uma queda, mesmo que forte, no mercado chinês dificilmente afetaria a economia daquele país. "O mercado acionário chinês não é como o americano, que tem uma grande correlação com a economia real", disse, ressaltando que não vê risco de uma desaceleração repentina na economia daquele país.Mobius brincou dizendo que uma correção de 20% a 30% no mercado chinês não o preocupa. Caso o mesmo ocorra em Hong Kong disse: "Eu estarei lá comprando".Recessão americanaApesar dos efeitos da queda das bolsas asiáticas sobre o mercado acionário americano e dos números desfavoráveis do setor imobiliário dos Estados Unidos, o megainvestidor não vê neste momento qualquer risco de recessão na economia dos EUA."Os Estados Unidos deviam ter entrado em recessão há pelo menos quatro anos e nós ainda estamos esperando", disse Mobius, ressaltando a grande capacidade de adaptação dos Estados Unidos a movimentos econômicos globais. "Outra razão é que a economia dos Estados Unidos tem sido, em boa parte, sustentada pela China e outros asiáticos. Mas também não podemos esquecer que a economia americana é muito aberta e dinâmica, e por isso se adapta rápido", analisou.Segundo Mobius, não se deve, entretanto, descartar o risco de uma recessão nos Estados Unidos, dado que há uma clara queda na capacidade de consumo dos americanos, por conta da forte desaceleração experimentada pelo mercado hipotecário. "Se isso levará ou não a uma recessão é uma grande questão que ainda será esclarecida. Mas os números não mostram isso neste momento."No caso da ocorrência de uma recessão norte-americana, Mobius prevê impacto horizontal sobre as demais economias do mundo, mas destaca a redução da dependência principalmente dos países emergentes da economia americana. "É uma grande verdade que os Estados Unidos eram críticos para o crescimento dos emergentes. China e Índia, no entanto, estão virando motores para o crescimento destes países", avaliou.Para ele, também é de grande importância a formação das reservas internacionais dos principais emergentes que, na média, superam os US$ 200 bilhões. "E os emergentes ainda estão baratos, quando comparados à média dos mercados do mundo", finalizou.

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