Megaleilão de transmissão sem investidores locais

O leilão de concessão da linha de transmissão Xingu-Terminal Rio, para levar a energia que será gerada pela usina Hidrelétrica de Belo Monte até o Estado do Rio, realizado na sexta-feira em São Paulo, teve a participação de apenas duas empresas. Mas nenhuma delas brasileira. É mais um sinal do temor de investir dos empresários locais, por mais seguras que possam ser as expectativas de remuneração do negócio.

O Estado de S. Paulo

22 de julho de 2015 | 03h00

A concessão oferecida figura entre as de maior porte no setor. A linha Xingu-Rio terá extensão superior a 2,5 mil km e capacidade de 4 mil MW. Os investimentos previstos são estimados em R$ 7 bilhões e a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) avalia em 16,8 mil o número de empregos que poderão ser gerados com a obra. Antes de chegar ao Rio, a linha passa pelos Estados do Pará, do Tocantins, de Goiás e de Minas Gerais. O prazo de instalação é de 54 meses. 

O custo máximo fixado pela Aneel pelo fornecimento do serviço foi de R$ 1,219 bilhão/ano, mas a espanhola Abengoa ofereceu R$ 1,049 bilhão e a chinesa State Grid, que venceu o leilão, ofereceu R$ 988 milhões. O deságio, portanto, foi de 18,9%, um bom indicador do interesse da companhia chinesa de continuar aumentando sua participação no Sistema Interligado Nacional (SIN). Em associação com outras empresas ou atuando isoladamente, a State Grid já é uma das maiores investidoras em transmissão de energia no País.

Por intermédio da Eletrobrás e subsidiárias, o Estado disputou vários leilões de transmissão nos últimos anos, mas a atual situação financeira da estatal limita sua capacidade de investimentos. O secretário adjunto do Ministério de Minas e Energia (MME), Moacir Bertol, admitiu que o governo preferiria que o vencedor estivesse associado a uma empresa local. Entre as preocupações está a contratação maciça de empregados chineses pela empresa, em detrimento da mão de obra brasileira e em período de dificuldades no mercado de trabalho.

O País necessita de vultosos investimentos em energia, mas a política para o setor energético é pouco atrativa para os investidores. A área de transmissão sempre foi vista como exceção, pois o montante de capital e os riscos são menores do que na geração e distribuição.

Mas, hoje, a recessão econômica e o custo de capital são limitadores naturais do apetite das empresas. Atividade cadente e juro crescente afastam os investimentos.

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