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Megaleilão não atrairá novos investimentos, diz Mauro Arce

O secretário de Energia do Estado de São Paulo, Mauro Arce, que esteve presente no leilão de energia durante todo o dia de ontem, disse hoje que o leilão não teve um resultado que atraia investidores para a construção de novas hidrelétricas: ?O preço da energia, sempre abaixo do que se esperava, deve desestimular novos investimentos. E para as companhias que possuem dívidas, sem dúvida alguma, a situação será pior. Estamos sentindo isso na pele, pois temos a Cesp, que deve cerca de US$ 6,5 bilhões. Nós deixamos de vender 700 megawatts de energia, por causa do preço. Sei que uma empresa se retirou do leilão, a Tractebel, pois percebeu que preços baixos trariam problemas para ela. A Tractebel, pelo o que eu sei, não é endividada, mas tem planos de investimentos."O secretário disse também que até agora não sabe qual a necessidade de energia para o próximo ano. ?O leilão não nos deu esta informação. A ministra Dilma pode ter dito que o leilão foi um sucesso. Um sucesso, como e por quê? De um lado temos os investidores preocupados e perguntando se devem investir no Brasil. Uma hidrelétrica nova deve ter um megawatt/hora estimado em pelo menos R$ 90,00 e por isso não pode vendê-lo por R$ 62,00. Seria um absurdo, um prejuízo na companhia. Esta é a conta que se faz. E os preços ofertados e bancados no leilão terão reflexos sobre os papéis das companhias no mercado, esta é a realidade."Preço induzido Segundo Mauro Arce, "o leilão de energia montado pelo governo foi muito bem feito para a sua finalidade de gerar preços baixos para a energia elétrica". Ainda segundo ele, da forma como foi realizado, "o leilão acabou não sendo livre, mas induzido porque os preços já chegaram à fase final sem que pudessem ser alterados pelas geradoras. Agora, depois desse leilão, o governo vai dizer que foram os agentes que fixaram os preços, e que não houve rompimento de contratos."Nesse sentido, o leilão foi muito "bem bolado", elaborado sobre a teoria dos jogos, só que o resultado já era sabido pelo governo, disse o especialista, referindo-se aos preços baixos do leilão. Arce ressaltou que só se conhecia o preço da energia que se tinha e não se sabia o que se poderia comprar ou o que se ofertava. Após esse leilão, disse o secretário, o investidor novo na área de energia no Brasil vai pensar duas vezes antes de aplicar seus recursos aqui, levando-se em consideração os preços praticados. ?No ano que vem teremos o leilão para 2009, e, se o mesmo mecanismo for praticado, teremos mais dificuldades".Para Arce, as companhias com dificuldades financeiras que venderam sua energia vão ter mais problemas daqui para a frente, pois não terão como gerar a receita necessária para bancar as obrigações que possuem. É o caso da Cesp, afirma. "Vamos ter que repensar. Temos pela frente a venda de mais 760 megawatts da Cesp.Vamos para o mercado livre ou ainda para o Mercado Atacadista de Energia. Mas, mesmo assim, o mercado deve ficar difícil. A Cesp tem que pagar US$ 2,8 bilhões de serviço da dívida. Novos investimentos ficam difíceis daquipara a frente", afirmou.

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