Megaoperação não barra disparada do dólar na Argentina

Apesar de o Banco Central argentino ter montado uma gigantesca operação com nove instituições financeiras para segurar a flutuação do câmbio, o dólar voltou a disparar hoje (segunda-feira) para 3,30 pesos logo nas primeiras horas da tarde nos bancos e para 4,00 pesos nas casa de câmbio, ante o fechamento de 3,10 pesos na sexta-feira. Depois de ter tomado, no final de semana, uma série de medidas para restringir a compra da divisa norte-americana, a autoridade monetária armou com bancos públicos (Nación, Província e Ciudad de Buenos Aires) e privados (BBVA-Francés, Río-Santander, Galicia, Credicoop, Bansud e Macro) um acordo de cavalheiros para segurar a cotação do dólar em no máximo 2,90 para venda e 2,80 pesos para compra.A operação tinha como objetivo evitar não só a alta abrupta da moeda norte-americana como também reduzir o spread entre a compra (2,80 pesos) e a venda (2,90 pesos). Mas de nada serviu a estratégia do BC argentino, que, no início da tarde, se viu obrigado a ampliar essa banda para 2,90/3,00 pesos. Isto é, a idéia era o BC vender dólares a 2,90 pesos aos bancos e estes a 3,00 pesos ao público, com limite máximo de US$ 1000,00 por pessoa. "Ocorre que as medidas adotadas no final de semana não devem surtir efeito. No máximo servirão para dar uma segurada nessa faixa de 3,00 e 3,50 pesos", disse à Agência Estado o funcionário de uma banco estrangeiro importante instalado na Argentina.A expectativa, de acordo com essa fonte, é que esta semana curta de três dias úteis (quinta e sexta-feiras serão feriados) e de quatro dias na próxima (segunda-feira também será feriado) o dólar não dispare. O que não entendo, acrescentou o funcionário dessa instituição privada por telefone de Buenos Aires, por que o Banco Central não ampliou a alíquota do compulsório se queria mesmo enxugar a liquidez de pesos no mercado. Atualmente, o compulsório é de 40% sobre a média dos depósitos nos bancos. "O compulsório é um dos instrumento clássicos de política monetária, somado à taxa de juros e à taxa de redesconto, que foram alteradas no final de semana", explicou essa fonte. O uso desse três mecanismos deveria brecar a alta do dólar sem que o BC queimasse as suas reservas, que já caíram para US$ 13,1 bilhões no dia 20 deste mês, de mais de US$ 14,5 bilhões no início de janeiro. Uma das exigências do Fundo Monetário Internacional (FMI) é que o BC não use as suas reservas para reduzir a cotação da moeda norte-americana. O problema, disse essa fonte, "é que a Argentina não consegue passar confiança alguma, mesmo tendo feito o que já fez até agora".Dólar e sonoEm declarações à agência DyN (Diários y Notícias), o secretário geral da presidência, Aníbal Fernández, disse que a disparada do dólar não está tirando o sono do presidente Eduardo Duhalde. De acordo com Fernández, é nestes momentos que o presidente precisa estar frio, "dominando e colocando a bola no chão" e deixando que a autoridade monetária tome as decisões necessárias para brecar a alta da moeda norte-americana. Fernández chamou também de absurdas as especulações sobre a saída de Jorge Remes Lenicov do Ministério de Economia.

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