Megawatts de vento

O alto custo de produzir eletricidade a partir do vento sempre foi considerado o maior obstáculo para o desenvolvimento da energia eólica no Brasil. Mas essa é uma sina que está começando a mudar.

CELSO MING, O Estado de S.Paulo

18 de setembro de 2010 | 00h00

Os resultados do último leilão de energia renovável promovido pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) no final de agosto surpreenderam até mesmo os especialistas. Nos dois dias de pregão, a energia eólica foi comercializada em média a R$ 130,86 por megawatt-hora (MWh). Ficou mais barata do que a gerada pelas usinas térmicas movidas a queima de bagaço de cana (R$ 144,20) e pelas pequenas centrais hidrelétricas (R$ 141,93).

Esse preço foi 9,5% mais baixo do que o praticado em dezembro, naquele que foi o primeiro leilão a comercializar energia renovável no País.

Vários fatores explicam essa queda. A crise financeira na Europa, que desacelerou a economia, é um deles. Melhor explicando, a falta de mercado no Velho Mundo derrubou os preços dos equipamentos e, consequentemente, levou as empresas europeias a olhar em direção ao Brasil.

A esse fator se liga outro. Como esse é um mercado que promete, os fabricantes dos cata-ventos entenderam que a melhor política é reduzir parte dos seus altos retornos até o segmento se consolidar. É o que observa o professor Nivalde de Castro, do Grupo de Estudo do Setor Elétrico da UFRJ.

Mas não se podem ignorar outros motivos: a valorização do real, que também reduziu os custos; a boa intensidade dos ventos, que, com o mesmo equipamento, produz no Brasil o dobro de energia gerada na Europa; o aumento do prazo dos empréstimos concedidos pelo BNDES ao setor, de 14 anos para 16 anos; e a isenção de ICMS para todo o tipo de maquinário eólico, prorrogada até dezembro de 2013.

São fatores que podem derrubar ainda mais os preços, principalmente se continuar havendo leilões. A boa notícia é que o de 2011 já foi confirmado pela Aneel.

Ricardo de Maya Simões, presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica), observa que os dois leilões realizados até agora deverão sextuplicar a geração de energia eólica no Brasil até 2013. O setor, que hoje tem 744 megawatts (MW) de capacidade instalada, passará a ter 4.597 MW daqui a três anos. Um salto de mais de 500% e que por pouco não atinge a meta de 6.300 MW estabelecida para 2030 pelo Plano Nacional de Energia.

Mas, apesar do rápido avanço, o Brasil ainda é um nanico em energia eólica. No ranking global, liderado pelos Estados Unidos (35,2 mil MW), Alemanha (25,8 mil MW) e China (25,1 mil MW), ocupa somente a 21.ª posição.

Para Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura, a energia eólica não é a solução para o problema energético do País, mas faz parte da resposta a um dos principais desafios: a necessidade de diversificar a matriz energética.

Hoje o Brasil é altamente dependente das usinas hidrelétricas, responsáveis por 67,26% de toda a energia elétrica produzida por aqui. A energia eólica corresponde a apenas 0,67%. Com certo otimismo, a Abeeólica estima que a participação desse tipo de energia chegará a 20% nas próximas duas décadas. A meta é ambiciosa, mas, se alcançada, dará uma contribuição significativa para a preservação do meio ambiente. / COLABOROU ISADORA PERÓN

Dólar fraco, ouro forte

Apenas em agosto, as cotações do ouro saltaram 4%. Ao longo de 2010 (até ontem), avançaram 16,2%. Essa cavalgada (veja gráfico) não reflete somente o aumento da insegurança nos mercados e, portanto, procura de porto-seguro. Reflete, também, a desvalorização do dólar em relação às demais moedas e ativos.

Mais para o mesmo

Isto é, os preços do metal sobem não só porque atendem à maior procura, mas também porque são necessários mais dólares para comprar a mesma quantidade de ouro.

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