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Meio milhão de pessoas já foram demitidas com a crise

Em menos de seis meses, as grandes multinacionais e bancos já demitiram juntos este total

Jamil Chade, de O Estado de S. Paulo,

15 de dezembro de 2008 | 15h05

Siemens, Rio Tinto, PepsiCo, Sony, Vale e muitas outras. Em menos de seis meses, as grandes multinacionais e bancos já demitiram juntos quase meio milhão de pessoas diante da crise e preparam amplos projetos de corte de investimentos e reestruturação para enfrentar a recessão.   Veja também: Desemprego, a terceira fase da crise financeira global De olho nos sintomas da crise econômica  Dicionário da crise  Lições de 29 Como o mundo reage à crise      Nesta segunda-feira, a sueca Electrolux anunciou a demissão de 3 mil trabalhadores. Os anúncios, no final deste ano, se tornaram praticamente diário para as tradicionais empresas. No total, as 200 maiores multinacionais já demitiram cerca de 270 mil pessoas. Diante da crise, a ONU e a Organização Internacional do Trabalho (OIT) decidiram montar um grupo de especialistas para formular uma estratégia para tentar frear essas demissões.   Os setores mais afetados foram o da mineração, com 14 mil demitidos da Rio Tinto, 9 mil na Arcelor-Mittal, 5 mil na Vale e 5,5 mil na Lonmin. No setor de transporte e de automóveis, os casos de demissões são cada vez mais constantes, e isso antes mesmo de se saber se um pacote de resgate será concedido às empresas americanas.   Na Europa, a Renault já despediu 6 mil, contra 2,2 mil das fábricas da Ford, 3,5 mil da Peugeot e até outros 2 mil da Rolls-Royce. Na Suécia, a Volvo demitiu outras 4,3 mil pessoas.   Nem mesmo o Natal está salvando as empresas de tecnologia, acostumadas nos últimos anos a ver suas vendas explodir nessa época do ano. A Hewlett-Packard anunciou já em setembro demissões de 24,6 mil pessoas, contra 16 mil pela Sony.   Tecnologia e bancos   A Irlanda foi um dos países que mais atraiu multinacionais do setor de tecnologia nos últimos anos e chegou a ser chamada de "Tigre Celta", em uma analogia às taxas de crescimento dos tigres asiáticos nos anos 90.   Mas um levantamento da Irish Management Institute concluiu que um terço das multinacionais instaladas no país agora vão promover amplas demissões. "Vamos avaliar o impacto social da crise", afirmou ao Estado a coordenadora do grupo da OIT criado para avaliar a situação do desemprego, Catherine Saget.   "Infelizmente, os cortes de investimentos de multinacionais terão um impacto importante no mundo do trabalho", disse. Segundo ela, nem o Brasil e nem a América Latina sairão ilesos. "Já vemos empresas multinacionais tomando decisões de abandonar projetos em várias partes do mundo, inclusive no Brasil", disse.   Os grandes bancos também estão promovendo demissões em massa. Juntos, já fecharam mais de 200 mil postos de trabalho, o que pode ser agravado diante da fraude descoberta na semana passada em Wall Street com Bernard Madoff. Só o Citibank demitiu 50 mil pessoas, contra 35 mil pelo Bank of America e 9 mil no alemão Commerzbank.   Até meados de 2009, a Associação de Funcionários de Bancos Suíços estima que os cortes chegarão a 300 mil pessoas em todo o setor.   Festas   Um dos efeitos dos cortes de investimentos, de gastos e demissões está sendo visto nas festas de final de ano das grandes empresas. Uma agência de notícias enviou há poucos dias um email a seus funcionários pela Europa com a seguinte ordem: cada um teria o direito de receber apenas 7 euros para gastar nas comemorações do final do ano.   Em muitas empresas, a estratégia está sendo a de organizar festas, mas deixar a conta com os funcionários que queiram participar. Na Inglaterra, 45% das festas de Natal de bancos, organizadas em hotéis de luxo e com centenas de convidados, foram canceladas. Em Dublin, o escritório da Merrill Lynch já cancelou sua tradicional festa para mais de mil pessoas.

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