Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Meirelles acena para o aumento dos benefícios do Bolsa Família

Ministro da Fazenda destacou que o valor do benefício social terá reajuste pela inflação para refletir a evolução do custo de vida

Adriana Fernandes, Eduardo Rodrigues e Idiana Tomazelli, O Estado de S.Paulo

19 Dezembro 2017 | 12h55

BRASÍLIA – O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, acenou com o aumento do valor dos benefícios do programa Bolsa Família em 2018. Em café da manhã de fim de ano com jornalistas, Meirelles adiantou que os benefícios terão reajuste pela inflação para refletir a evolução do custo de vida.

“Parece razoável”, disse. Mas o ministro foi além: disse que, na medida da possibilidade, o benefício poderá ter um “ganho extra” acima da inflação. “Havendo espaço sim (conceder o extra)”, afirmou. Segundo ele, não há decisão, mas “certamente será uma prioridade”.

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O ministro também considerou importante a definição em 2019 das novas regras do salário mínimo. Nas últimas semanas, o ministro tem focado o discurso social, já de olho numa possível candidatura à Presidência da República em 2018. 

Inflação. Meirelles fez questão de destacar que a inflação este ano (IPCA) deve fechar o ano abaixo do piso da meta , que é de 3%. “Está em 2,8%. Vamos aguardar”, ressaltou. 

O centro da meta de inflação para este ano é de 4,5%, com tolerância de 1,5 ponto porcentual, para mais ou para menos. Quando o resultado anual fica fora desses limites, o presidente do Banco Central precisa enviar uma carta aberta ao Ministério da Fazenda explicando os motivos para o estouro da meta e as ações que a autoridade monetária estaria tomando para o retorno do IPCA à meta.

No último Relatório de Mercado Focus, divulgado ontem pelo BC, os analistas de mercado reduziram a projeção de inflação neste ano de 2,88% para 2,83%.

Bem estar. O ministro da Fazenda disse ainda que há a previsão de que o Natal deste ano será o melhor “em muito tempo, porque a renda está aumentando”. Segundo ele, porém, é preciso separar a realidade da percepção.

“Com a economia crescendo, a sensação de bem estar evolui devagar. Isso é normal”, afirmou. Meirelles citou que, recentemente, esteve no Rio de Janeiro em contato com consumidores de um supermercado. Ele aproveitou a ocasião para questioná-los se a inflação está caindo. “A resposta foi que o preço está alto. As pessoas não comparam os preços de acordo com os dados do IBGE, de 12 meses”, pontuou. “O fato é que a inflação caiu, mas a percepção se estabelece devagar.”

Meirelles afirmou também que as reformas estruturais estão sendo feitas no País e citou, entre as ações, o teto de gastos e a reforma trabalhista. “

A reforma da Previdência está em andamento. Vamos aguardar fevereiro”, afirmou. Ele defendeu ainda que é positivo que os deputados federais voltem para suas bases eleitorais agora, até fevereiro. Assim, de acordo com Meirelles, eles verão que o ambiente entre os eleitores está mais favorável à reforma.

“Em qualquer país do mundo, reforma da Previdência é controversa”, afirmou. “Mas a reforma vai garantir o direito de os brasileiros receberem a aposentadoria”, acrescentou, lembrando que, na Grécia, o fato de a reforma não ter sido feita no momento correto provocou cortes nos valores das aposentadorias.

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