Andressa Anholete|AFP
Andressa Anholete|AFP

Meirelles adia anúncio da equipe econômica para terça-feira

Ministro da Fazenda ainda não conseguiu fechar todos os cargos e preferiu adiar o anúncio, que seria feito nesta segunda-feira; Ilan Goldfajn deve assumir o Banco Central

Rachel Gamarski, O Estado de S.Paulo

16 de maio de 2016 | 10h04

BRASÍLIA - O novo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, anunciará a sua equipe e os dirigentes dos bancos públicos e do Banco Central nesta terça-feira às 11 horas, segundo confirmou a assessoria da Fazenda. Mais cedo, o Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, havia informado a mudança da data com fontes. Meirelles ainda não conseguiu fechar todos os cargos e preferiu adiar o anúncio. 

Na sexta-feira, quando falou pela primeira vez como ministro de Temer com a imprensa sobre sua equipe, Meirelles afirmou que os nomes seriam conhecidos nesta segunda-feira. 

Até agora, o único nome confirmado é o de Tarcísio Godoy para a secretaria executiva da pasta, mas Ilan Goldfajn deverá ser o presidente do Banco Central. O anúncio ocorrerá no Ministério da Fazenda.

Confira abaixo os principais nomes da equipe econômica:

- Fazenda (Incorpora Previdência): Henrique Meirelles (PSD/SP)

Com uma carreira de destaque no sistema financeiro, Meirelles chegou a presidente internacional do BankBoston. Na vida pública, foi presidente do Banco Central de 2003 a 2010. Agora, depois de quase cinco anos e meio afastado do governo, Meirelles volta para assumir a economia brasileira na pior recessão desde a década de 1930 e num governo de transição.

A tarefa principal é fazer um ajuste fiscal maior do que qualquer outro pelo qual o Brasil tenha passado em décadas. Nas contas do mercado, algo entre 4% a 6% do PIB, ou de aproximadamente R$ 250 bilhões a R$ 350 bilhões. A estratégia terá de combinar extrema dureza, para fazer o máximo possível de esforço fiscal no primeiro momento, e habilidade política extraordinária para passar duras reformas de restrições de direitos num horizonte apenas um pouco maior. O futuro ministro da Fazenda já defendeu, após ser indicado por Temer, limites legais ou constitucionais da trajetória do gasto público.

- Banco Central: Ilan Goldfajn (ainda não confirmado)

O economista-chefe do Itaú Unibanco deve assumir o Banco Central em junho sem status de ministro, como é atualmente. Ilan foi diretor de Política Econômica do Banco Central durante a gestão de Armínio Fraga, cotado inicialmente para ministro da Fazenda de Temer.

- Tesouro Nacional: Mansueto Almeida (ainda não confirmado)

O economista Mansueto Almeida foi coordenador-geral de Política Monetária e Financeira na Secretaria de Política Econômica no Ministério da Fazenda (1995-1997), assessor da Comissão de Desenvolvimento Regional e de Turismo do Senado Federal (2005-2006) e Assessor Econômico do Senador Tasso Jereissati.

- Planejamento - Romero Jucá (PMDB/RR)

O senador Romero Jucá (PMDB-RR) deu início já na semana passada ao processo de transição com Nelson Barbosa, ex-ministro da Fazenda de Dilma. O peemedebista foi pessoalmente ao ministério para obter um panorama das medidas emergenciais a serem tomadas no início da gestão Temer. Segundo apurou o Estado, a reunião ocorreu a pedido de Jucá. Eles discutiram a necessidade de aprovar a mudança da meta fiscal até o fim do mês para evitar a paralisação da máquina pública por conta de um novo contingenciamento do Orçamento deste ano. A equipe de Barbosa apresentou ao senador as estimativas que fizeram para o próximo relatório bimestral de avaliação de receitas e despesas, com novas projeções para a arrecadação, gastos e PIB. Caberá à nova equipe econômica referendá-las ou não.

- Relações Exteriores (incorpora Apex - Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos): José Serra (PSDB/SP)

O senador José Serra, que foi ministro do Planejamento e da Saúde no governo FHC, vai assumir a pasta sem o status de "superministro". A ideia original de Temer era extinguir o Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic), passando a parte de comércio para o Itamaraty e o restante da estrutura, inclusive do BNDES, para o Planejamento. Mas a ideia sofreu resistência das entidades representativas da indústria. Agora, a pasta vai receber a Apex, que promove eventos mundo afora para vender produtos brasileiros.

- Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior: Marcos Pereira (PRB)

O presidente do PRB, advogado e bispo licenciado Marcos Pereira, negociou com Temer o espaço do partido, que tem bancada evangélica. O PRB negou o Ministério da Previdência e a Secretaria dos Portos e tentava conquistar a Agricultura. Pereira também foi cotado para assumir o Ministério de Ciência e Tecnologia.

- Agricultura, Pecuária e Abastecimento: Blairo Maggi (PP/MT)

Escolhido para o Ministério da Agricultura, o senador Blairo Maggi (PP/MT)  é gaúcho, natural de Torres (RS), mas foi no Mato Grosso que se consagrou como o “rei da soja”.  No Estado do Centro-Oeste, Maggi governou por duas vezes e montou seu império em Cuiabá. Filho de produtores rurais, Blairo graduou-se em Agronomia na Universidade Federal do Paraná.

Ele deixou o PR e se filiou ao PP na última quarta-feira (11) para viabilizar sua indicação para o comando do Ministério da Agricultura, após ser convidado pelo presidente nacional do partido, o senador Ciro Nogueira (PI). Além da indicação para Agricultura, o dirigente também vislumbra que o futuro ministro possa ser o candidato do PP para as eleições presidenciais de 2018.

- Transportes (Incorpora Aviação Civil e Portos): Maurício Quintella (PR/AL)

Maurício Quintella Lessa (PR/AL), escolhido de Temer para assumir a pasta de Transportes, é um advogado alagoano, nascido em 1971. Quintella já foi deputado federal quatro vezes e na sua última eleição recebeu mais de 70 mil votos. Na votação do impeachment na Câmara, o político contrariou a orientação da direção do PR e deixou a liderança para votar a favor do afastamento.

Maurício Quintella foi eleito vereador pela primeira vez em 1996 e já assumiu a presidência da Câmara de Vereadores e a Secretaria de Educação do Estado de Alagoas. Ele foi condenado em 2014 por desviar dinheiro da merenda escolar em Alagoas, entre 2003 e 2005, quando foi secretário de Educação do Estado. 

- Comunicações, Ciência e Tecnologia: Gilberto Kassab (PSD/SP)

Gilberto Kassab é economista, engenheiro civil, empresário e fundador do PSD. Nasceu em São Paulo e foi prefeito da cidade por duas vezes entre 2006 e 2012. Na primeira vez, assumiu após a renúncia de José Serra, que saiu para se candidatar ao governo do Estado de São Paulo. Na segunda, foi eleito no 2º turno.  O indicado de Temer para a pasta também foi ministro das Cidades do governo Dilma, mas se demitiu com a decisão da bancada do PSD na Câmara dos Deputados de votar pelo impeachment da presidente.

Kassab é o quinto de sete filhos do médico libanês Pedro Salomão José Kassab e da professora Yacy Palermo. Iniciou na política aos 25 anos e, ainda na universidade, participou do Fórum de Jovens Empreendedores da Associação Comercial de São Paulo (FJE-ACSP). Gilberto Kassab também faz parte da Federação das Associações Comerciais de São Paulo, do Sindicato da Habitação (Secovi) e do Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci).

- Trabalho: Ronaldo Nogueira (PTB/RS)

Natural de Carazinho (RS), Ronaldo Nogueira é formado em Administração de Empresas e pastor da Igreja Evangélica Assembleia de Deus. O deputado federal pelo Partido Trabalhista Brasileiro do Rio Grande do Sul também é vice-presidente nacional de Segurança Pública do partido. Nogueira ainda é membro do Conselho da Comunidade de Carazinho e do Grupo de Apoio à Polícia Civil.

- Secretaria Especial de Investimento: Moreira Franco (PMDB/RJ)

O papel de Moreira Franco, que não terá status de ministro na estrutura enxuta formulada por Temer, é trazer para o Brasil os recursos que estão circulando no mundo à cata de bons negócios. Será um programa inspirado no Plano de Metas de Juscelino Kubitschek (1956-1961), que estabelecia objetivos para investimentos em infraestrutura e a industrialização.

- Minas e Energia: Fernando Bezerra Filho (PSB)

Pernambucano, é filho do também senador Fernando Bezerra Coelho. Logo após assumir, Bezerra Filho disse haver uma posição unânime no ministério de que não é possível repassar à conta de energia dos consumidores reajustes a partir de desequilíbrios tarifários apontados na Conta de Desenvolvimento Energétivo. Um dos seus primeiros desafios à frente da pasta será a questão da apresentação dos balanços da Elterobrás de 2014 e 2015 à SEC, o órgão regulador do mercado de capitais dos Estados Unidos. O prazo final é quarta-feira. Se o balanço não for apresentado, a Eletrobrás corre o risco de ter suas ações excluídas da Bolsa norte-americana. 

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