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Meirelles admite usar IOF contra o câmbio

Mantega contesta presidente do BC, negando que medida será tomada 'neste momento'

Daniela Milanese CORRESPONDENTE / LONDRES, O Estado de S.Paulo

29 de setembro de 2010 | 00h00

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, não quis usar a palavra "guerra" - como havia feito o ministro da Fazenda, Guido Mantega no dia anterior - para definir os desequilíbrios do mercado de câmbio internacional. Mas disse ontem que existe "um problema cambial muito sério que precisa ser resolvido".

No caso da valorização do real, ele afirmou que está em aberto a possibilidade de elevar o imposto sobre capital estrangeiro. Segundo Meirelles, o ministro da Fazenda já afirmou que isso é sempre algo que pode ocorrer. "O governo brasileiro nunca descartou (o aumento do IOF)."

Mantega. Horas mais tarde, Mantega deu entrevista negando que o governo planeja alterar o IOF neste momento. O tributo é cobrado na entrada de recursos estrangeiros em renda fixa, a uma alíquota de 2%. "Nós não estamos pensando em nenhuma alteração neste momento", afirmou Mantega, ao chegar ao Ministério da Fazenda, à noite, depois de encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Palácio do Planalto.

"Depois das eleições, não sei. É claro que todas as possibilidades continuam em aberto", completou o ministro. Entre outras medidas para tentar contornar a questão cambial, Mantega citou os contratos de swap reverso, que podem voltar a ser ofertados pelo Banco Central. "Tem de olhar o mercado futuro e, nesse caso, a atuação é com swap reverso", declarou.

O ministro disse considerar que, no momento, os fluxos de capitais nas bolsas de valores estão dentro do normal, assim como os fluxos em renda fixa. Mantega afirmou que a necessidade da cobrança de IOF a partir de outubro de 2009 foi justificada porque naquele mês houve um excesso de capitais para o Brasil, que chegou a US$ 13 bilhões.

G-20. O presidente do BC disse que a questão do câmbio precisa ser debatida pelo G-20, e o Brasil não pode pagar o preço pelos desequilíbrios, já que a valorização da moeda pode prejudicar a competitividade nacional. Para ele, não se pode usar a expressão "guerra cambial" porque a situação entre os países difere - uns têm problemas internos, enquanto outros combatem a valorização das divisas.

A afirmação de que existe uma "guerra cambial" global, feita ontem pelo ministro Guido Mantega, foi a manchete do Financial Times e atraiu a atenção da mídia estrangeira, presente na coletiva de Meirelles em Londres. "Nós dois (ele e Mantega) argumentamos que o câmbio é um problema muito sério e o Brasil não pode pagar o preço", disse o presidente do BC. Segundo ele, a quantidade de leilões para a compra de dólares dependerá da intensidade do fluxo cambial.

Passada a capitalização da Petrobrás, o BC reduziu o número de atuações no mercado à vista e ontem realizou apenas um leilão. Meirelles lembrou que a estratégia do BC tem sido comprar o equivalente à entrada líquida de dólares, que subiu fortemente por causa da operação da Petrobrás. Meirelles deixou em aberto as possibilidades de atuação daqui em diante, ao destacar que a estrutura para a atuação do Fundo Soberano está pronta.

Ontem, o dólar se manteve estável em R$ 1,71, A cotação não seguiu o movimento do exterior, onde a moeda se desvalorizou. / COLABORARAM EDUARDO RODRIGUES E ROSANGELA DOLIS

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