DIDA SAMPAIO/ESTADÃO
DIDA SAMPAIO/ESTADÃO

Meirelles admitiu que perda com mudanças na reforma da Previdência será maior do que previsto

Ministro da Fazenda disse ainda que as mudanças que estão sendo negociadas atendem aos interesses gerais e que, por isso, a expectativa dele é de que o Senado não altere o texto aprovado pela Câmara

Igor Gadelha e Carla Araújo, O Estado de S.Paulo

18 de abril de 2017 | 11h14

BRASÍLIA - O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, admitiu nesta terça-feira que a perda com as mudanças que estão sendo feitas pelo Congresso Nacional no texto original da reforma da Previdência deve ser maior do que a prevista inicialmente pelo governo. Em entrevista após café da manhã no Palácio da Alvorada com parlamentares e o presidente Michel Temer para discutir o tema, ele disse esperar que as alterações reduzam entre 20% e 30% a economia esperada com a reforma previdenciária. No início de abril, o ministro tinha previsto que essa redução seria menor, de 15% a 20%.  A leitura do relatório do parecer da reforma na Câmara será feita amanhã, às 9h.

"O mercado já precificava uma reforma que seria cerca de 30% do benefício a menos, ou seja, 70% a menos do que o original. No entanto, acreditamos que será mais, bem mais do que 70%, principalmente no período inicial de dez anos, teremos algo que se aproxime mais de 80%", afirmou Meirelles na entrevista desta terça-feira, 18. "Como eu disse, esperamos que a proposta (aprovada pelos parlamentares) signifique algo que seja próximo de 80% da reforma original, o que significa algo, dependendo do prazo, que varia entre 70% e 80% da reforma original", acrescentou o ministro em seguida. 

Meirelles afirmou que o texto final da reforma ainda não está fechado e que algumas negociações ainda estão em andamento para "viabilizar a aprovação" da reforma. De acordo com o ministro, todas as mudanças que estão sendo negociadas pelo relator da matéria na Câmara, deputado Arthur Maia (PPS-BA), já estão "precificadas" pelo mercado. O ministro declarou que todas as alterações estão "dentro dos parâmetros" definidos pelo governo para garantir que o equilíbrio fiscal do País seja restabelecido. "As negociações com o Legislativo fazem parte do processo em todo país do mundo", disse.

Reforçando que o texto final ainda não estava fechado, o ministro da Fazenda confirmou que o relator deve fixar a idade mínima para mulheres em "algo ao redor de 62 anos". De acordo com ele, mudanças em relação à aposentadoria de trabalhadores rurais ainda estão sendo discutidas. "Em resumo: o relatório ainda não está fechado". Meirelles disse que, apesar de a leitura do parecer na comissão especial ter sido adiada em um dia, para esta quarta-feira, 19, o cronograma de votação "está mantido". A previsão é de que o relatório seja votado no colegiado entre 26 e 27 de abril. 

O ministro afirmou ainda que espera que o Senado não altere o texto da reforma que for aprovado pelos deputados. Ele ressaltou que é prerrogativa do Senado alterar o texto, mas que a expectativa do governo é de que as negociações que estão sendo feitas na Câmara atendam aos "interesses gerais", inclusive dos senadores. "Portanto, nossa expectativa é de que o Senado não altere o texto", afirmou. Nesta terça-feira, o relator da reforma deve se encontrar com senadores para apresentar e debater o relatório da matéria.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.