Meirelles afirma que fim da alta dos juros depende da inflação

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, disse hoje que a ata do Comitê de Política Monetária (Copom) divulgada nesta manhã "é clara e altamente explicativa". Contudo, evitou fazer previsões sobre quando poderá terminar o atual ciclo de aperto monetário (alta dos juros). "Vai depender do comportamento da inflação", disse. Meirelles afirmou que a política monetária brasileira está funcionando eficazmente. "A inflação está caindo ano a ano e as expectativas mostram isso", declarou.Segundo ele, a mensagem importante do BC neste momento é a busca de um crescimento sustentado para o País. "O Brasil cresceu em 2004, vai crescer em 2005 e continuará crescendo nos próximos anos", afirmou. "Para isso é necessária a estabilidade, a inflação na meta". O presidente do BC reiterou que não há exemplo recente de país que tenha obtido crescimento sustentável com inflação alta.Meirelles foi questionado se o Brasil não deveria seguir a estratégia adotada pela Turquia, que acomoda uma taxa de inflação mais elevada para obter um crescimento do PIB maior do que o brasileiro. "Não podemos pegar exemplos pontuais", respondeu Meirelles. "A China está crescendo 9,5% e tem uma inflação de apenas 4%", exemplificou. CríticasQuestionado sobre as críticas ao BC, Meirelles disse que as vê com naturalidade. "Não vejo isso como críticas, mas como reclamações", disse. Ele comparou a política do BC a uma dieta alimentar, pois perder peso assim como reduzir a inflação requer determinação. "Isso faz parte do trabalho do BC", disse, "o que nós temos é que nos preocupar com os resultados".Meirelles lembrou que em janeiro do ano passado o BC também foi muito criticado por manter inalterado os juros. "Na época falavam que o Brasil não ia crescer e que a inflação ia ficar muito abaixo da meta. Hoje sabemos que não foi bem assim", afirmou.RumoresO presidente do BC evitou comentar os rumores de que poderia sair do cargo para concorrer às eleições no próximo ano. Meirelles se mostrou surpreso, já que no relatório de um banco a clientes constava apossibilidade disso vir a acontecer. "Meus planos, no momento, são de cumprir a meta de inflação", disse. Ele também não quis comentar os rumores de eventuais mudanças na diretoria do BC.

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