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Meirelles afirma que IPCA-15 ficou acima do esperado

O presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, disse que o resultado do Índice de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) de maio ficou "um pouco acima do esperado". O indicador serve de prévia do IPCA fechado de maio. Em palestra no Rio, Meirelles disse que "a inflação está caindo, mas não de forma tão rápida como gostaríamos". Ele observou, no entanto, que o Banco Central tem expectativa de "inflação declinante" nos últimos meses do ano. Meirelles admitiu que os preços administrados têm sido "componente de choque" nos resultados dos índices inflacionários. O presidente do BC repetiu no evento, pela terceira vez, a mesma apresentação sobre inflação no Brasil feita em dois eventos anteriores no Rio esta semana, na Associação Comercial do Rio de Janeiro e no BNDES. Inflação e juros altosNa apresentação de hoje, Meirelles voltou a defender o controle da inflação pelo uso da taxa de juros, os componentes necessários para a redução do risco País ? taxa que mede a confiança dos investidores na capacidade de pagamento da dívida do país ? e a necessidade de combater a inflação para se promover um crescimento sustentável no Brasil. Ele foi incisivo no tópico "crescimento". "Crescimento é a meta de toda a política econômica. Crescimento é a meta do governo é a meta do Banco Central. A questão é saber como vamos fazer um crescimento sustentável, como outros países já fizeram", disse. Na ocasião, ele também admitiu que a taxa de juros no Brasil "de fato tem sido alta, elevada em termos internacionais". Mas, ressaltou que "esse patamar de juros é necessário para o combate à inflação".Mudança de metaMeirelles destacou que "é prematuro falar sobre mudança na meta de inflação". Ele informou que primeiro é necessário avaliar "com clareza a projeção de preços administrados" para depois tomar alguma decisão sobre o tema, "que será divulgado no momento oportuno", disse. Ele ressaltou a importância do combate à inflação e também de haver patamares de inflação baixos para o crescimento sustentável e reafirmou que "crescimento não se faz com política monetária frouxa". O presidente do BC disse, porém, que apesar de o BC não possuir um parâmetro ideal do risco país para promover crescimento sustentável do Brasil, "o crescimento sustentável do País é possível no nível atual de risco". Quando questionado sobre as críticas que o classificam como ortodoxo e conservador, Meirelles sorriu e apenas afirmou: "Eu sempre me julguei um realista". Ele reiterou que a expectativa da inflação é declinante para os próximos meses. Quanto à questão dos compulsórios, Meirelles limitou-se a dizer que não pode adiantar decisões que sairão na próxima ata do Copom.Diálogo com CongressoMeirelles também falou a respeito das informações divulgadas na imprensa de que o BC teria se comunicado com integrantes do Congresso para falar sobre as decisões do Copom. Ele disse que "é responsabilidade do BC ter um diálogo com o Congresso". O presidente do BC observou ainda as recentes declarações do senador Eduardo Suplicy (PT-SP) de que seria possível realizar reuniões do Copom abertas ao público. "Respeito as posições do meu amigo senador Eduardo Suplicy, mas não há precedentes, em outros bancos centrais do mundo, de divulgação de reuniões do Copom em tempo real". Meirelles também alegou desconhecer se o Ministério da Fazenda pretende realizar novos saques de recursos no Fundo Monetário Internacional. "Eu não tenho posição a esse respeito. Isso será discutido no momento oportuno. Não sei se o Ministério da Fazenda está tratando desse assunto", respondeu.

Agencia Estado,

23 de maio de 2003 | 14h21

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