coluna

Dan Kawa: Separar o ruído do sinal é a única forma de investir corretamente daqui para a frente

Meirelles afirma que já há certo consenso sobre juro nos EUA

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, afirmou hoje que após a forte instabilidade nos mercados internacionais em função das dúvidas sobre a continuidade da alta dos juros nos Estados Unidos, atualmente parece estar se formando um relativo consenso sobre a trajetória dos juros naquele país. O que, em sua opinião, tem contribuído para uma acomodação positiva dos ativos, entre eles os brasileiros, nas últimas semanas. "A discussão que se tinha era onde seria o final do aperto. Na medida em que as percepções mudaram um pouco, as preocupações saíram do risco de deflação de uma política monetária muito acomodatícia para migrarmos para um período onde se discute o balanço de riscos possíveis para um risco maior de inflação naquele país", afirmou Meirelles a jornalistas, após participar de evento promovido pela Amcham em São Paulo. "Agora, os mercados estão chegando a um certo consenso e é normal que isto estabilize este quadro de incertezas, acrescentou.Ele destacou, no entanto, que diversas das incertezas que geraram os movimentos de volatilidade (oscilação) a partir de maio ainda estão presentes, como, por exemplo, o déficit de conta corrente e o mercado imobiliário norte-americano, o consumo interno em países da União Européia e Japão e os preços do petróleo.Controle da inflaçãoEm função disso, enfatizou, caberá ao BC ficar atento para eventuais novas mudanças de percepção. "Estamos alertas e preparados para tomar medidas para que o Banco Central do Brasil continue cumprindo sua missão, que é a de manter a inflação na meta", concluiu o presidente do BC.Meirelles procurou enfatizar a estabilidade de preços e a conseqüente maior previsibilidade na inflação como premissas já conquistadas na economia. Ele lembrou, nesse sentido, das melhoras nas contas externas nos últimos anos e do que parece ser um crescimento sustentável da economia neste momento, com aumento do emprego e da renda real do trabalhador. O presidente do BC afirmou que é importante que a sociedade saiba que a autoridade monetária vai entregar a inflação na meta, definida pelo CMN, de 4,5% neste ano. "É por isso que a meta do BC é a inflação e não a taxa de juros", afirmou.Meirelles destacou que não só a inflação corrente tem mostrado trajetória consistente com as metas, como também as expectativas estão ancoradas na meta, referindo-se especificamente às projeções do mercado para o ano de 2007. "Isso aumenta a previsibilidade, alonga os horizontes de planejamento e reduz o prêmio de inflação no retorno demandado nos investimentos", afirmou.Mercados reavaliam expectativa de juros nos EUAHoje, nos Estados Unidos, foi divulgada a criação de 113 mil vagas de trabalho em julho, abaixo da previsão de 150 mil feita por analistas ouvidos pela agência Dow Jones. O número reafirmou o sentimento otimista que vinha ganhando força no mercado. A taxa de desemprego subiu para 4,8%, superando a expectativa de 4,6%.Os mercados reagiram bem, pois o número é mais um indicador que vem confirmar o arrefecimento da atividade norte-americana. Com isso, está comprando com muito mais convicção a idéia de pausa no juros na reunião do banco central dos Estados Unidos da próxima terça-feira.No Brasil, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) opera em alta de 1,26%, às 13h05, acompanhando as bolsas de Nova York. O índice Dow Jones - que mede o desempenho das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - opera em alta de 0,38%. A Nasdaq - bolsa que negocia ações do setor de tecnologia e Internet - sobe 0,18%.

Agencia Estado,

04 de agosto de 2006 | 12h54

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.