Meirelles aponta ´acertos´ e diz que Lula falará sobre BC

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, acredita que a reação do mercado brasileiro em relação à turbulência dos últimos dias mostra que o governo "acertou em sua política econômica". Para Meirelles, "o Brasil está com seus fundamentos muito mais sólidos, não só por força de suas reservas, mas também pelo saldo em conta corrente, saldo comercial, inflação na meta e relação cadente entre dívida e PIB".Ele participou da reunião do Banco Internacional de Compensações (BIS), na Basiléia, na Suíça. Para o presidente do BC, a reunião do BIS foi uma "confirmação de que o Brasil está prosseguindo na linha correta". Meirelles indicou ainda que o Brasil "tem condições de ter um crescimento sustentado e a taxas maiores em função das melhoras de fundamentos conseguidas nos últimos anos".Meirelles ainda que a situação do Brasil não pode ser confundida com o do restante da América Latina. Os outros países, segundo ele, temem que as incertezas do mercado internacional afetem as taxas de crescimento de suas economias. Apesar das condições mais adversas dos mercados, ele também negou que o Brasil possa ter perdido a fase mais positiva da economia global na década para crescer."Não há dúvida de que muitos países estão preocupados. Mas são países mais dependentes dos Estados Unidos e contam com seus fundamentos menos equilibrados que o Brasil", disse, destacando que os efeitos da desaceleração na economia americana não será sentido da mesma forma em toda a região."Existe claramente um efeito diferenciado na região e no mundo. O Brasil, apesar de um cenário de maior incerteza, tem todas as condições para continuar aumentando suas taxas de crescimento", afirmou.A respeito de sua permanência no BC, Meirelles apenas afirmou: "O presidente da República deve se pronunciar sobre isto proximamente".AlertasA reunião do BIS começou no domingo. No primeiro dia do encontro, os presidentes dos bancos centrais latino-americanos alertaram que o Brasil pode ter perdido o melhor momento internacional para crescer na década e terá de aprender agora a conviver com um cenário de maior oscilação diante das incertezas sobre o futuro da economia americana e sua desaceleração.Eles estão preocupados com a ?profundidade? dos ajustes nos mercados financeiros internacionais e o impacto para o crescimento da América Latina. ?A volatilidade (oscilação) é o nome do jogo hoje?, disse Martin Redrado, presidente do BC argentino. ?Os Estados Unidos pegam um resfriado e nós todos na América Latina uma pneumonia?, afirmou Guillermo Ortiz, presidente do Banco Central do México. Para muitos, a China teve um papel nesse ajuste, mas não deve ser vista como a razão central das turbulências. O presidente do Banco Central do Chile, Victorio Corbo, destacou que os BCs já vinham alertando sobre os potenciais riscos para a economia internacional e que ficaram claro nas últimas duas semanas. No final de fevereiro, um ajuste na Bolsa de Valores de Xangai estremeceu os mercados e as incertezas foram mantidas diante dos índices da economia americana abaixo da expectativa dos mercados.

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