Meirelles aponta riscos à inflação, indica aperto curto

O presidente do Banco Central,Henrique Meirelles, destacou nesta terça-feira os riscosinflacionários que pesam sobre a economia brasileira e afirmouque é papel da autoridade monetária estar sempre alerta paragarantir a continuidade do cenário de crescimento com inflaçãocontrolada. Ele ponderou, no entanto, que o quadro de estabilidadeeconômica que o país vive demanda ciclos de aperto monetário demenor amplitude do que no passado. "É importante que o Banco Central tome medidas a tempo e ahora para que o país continue na sua trajetória de crescimentocom inflação baixa", disse Meirelles em depoimento à Comissãode Assuntos Econômicos (CAE) do Senado. "O Banco Central tem que olhar a perspectiva da inflaçãofutura, isso é desafiador." Ele destacou que os núcleos de inflação dos últimos quatrotrimestres sinalizam uma tendência de "crescimento subjacente"dos preços no país e afirmou que os preços no atacado oferecemriscos de repasses ao varejo nos próximos meses. "O Banco Central tem que estar alerta", afirmou. Meirelles mostrou, ainda, que as expectativas do mercadopara a inflação em 2008 estão próximas de 5 por cento, acima docentro da meta de 4,5 por cento. Para 2009, as expectativassubiram ligeiramente, mas permanecem consistentes com o centroda meta. "É importante que a autoridade monetária tome providênciaspara que continue consistente", argumentou, acrescentando que aexpectativa de inflação menor em 2009 por parte do mercado levaem conta a atuação do BC. Segundo Meirelles, se o BC não mostra disposição decombater a inflação, as expectativas sobem e os juros domercado também se elevam. Daí a importância de uma posiçãofirme da autoridade monetária neste momento. "A mensagem à nação é que o Banco Central tem a questão dainflação no Brasil sob controle." CICLOS MONETÁRIOS Ao comentar a trajetória da taxa Selic nos últimos anos,Meirelles afirmou que a tendência é que os ciclos de apertosejam menores do que no passado. "Hoje temos a economia estabilizada. Isso não elimina anecessidade de um aperto, mas faz com que ele tenha outraamplitude", afirmou Meirelles. "A escala é menor, o patamar é menor e isso é uma boanotícia", acrescentou, ao comparar os apertos monetáriospromovidos em 2003 e 2005 com o recente aumento dos juros. O Banco Central elevou a taxa Selic em 0,5 ponto em abril,para 11,75 por cento ao ano, e indicou que promoverá novosaumentos. Questionado por um senador se o Brasil não estaria agindona contramão da tendência mundial ao elevar os juros, Meirellesafirmou que "política monetária não se faz por analogia". (Edição de Alexandre Caverni e Vanessa Stelzer )

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