Meirelles apresenta origens da crise internacional na Câmara

Presidente do Banco Central participa, junto com o ministro Mantega, de comissão para debater turbulência

Renata Veríssimo, Adriana Fernandes e Fabio Graner, da Agência Estado,

21 Outubro 2008 | 16h25

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, iniciou nesta terça-feira, 21, a sua exposição no plenário da Câmara dos Deputados sobre a crise financeira internacional. Ele explicou que irá apresentar as origens da crise e as medidas já adotadas no Brasil para mitigar os efeitos no balanço de pagamentos e resolver as restrições de liquidez. Segundo ele, o Brasil, pela primeira vez em um momento de crise internacional, é um dos a apresentar bom desempenho na economia mundial.   Veja também: Consultor responde a dúvidas sobre crise   Como o mundo reage à crise  Entenda a disparada do dólar e seus efeitos Especialistas dão dicas de como agir no meio da crise A cronologia da crise financeira  Dicionário da crise     Utilizando apresentação em Power Point, Meirelles mostrou a origem da crise, atribuindo ela à grande alavancagem dos bancos nos Estados Unidos e do permissivo quadro regulatório norte-americano. Segundo ele, o quadro benigno começou a ser revertido em meados de 2007. De acordo com ele, houve aumento da inadimplência no crédito habitacional naquele país, revertendo a estabilidade de alguns anos nessa área. Com isso, acrescentou, os bancos perderam a capacidade de continuar expandindo e começaram a registrar problemas de crédito.   O presidente do BC afirmou que o ponto mais agudo da crise, e que não foi revisto por ninguém, foi a quebra do banco Lehman Brother, que, segundo ele, tinha um grande número de contrapartes. Após a quebra do banco, Meirelles disse que as instituições financeiras nos EUA passaram a pagar muito mais para captar recursos.   Brasil   Meirelles voltou a dizer que o Brasil hoje é mais resistente aos choques externos e creditou isso, sobretudo, à política de redução da vulnerabilidade externa, que fez com que o Brasil saísse de um endividamento em dólar de 55,5% de sua dívida para uma posição credora em dólar de cerca de 28% do total.   Dessa forma, explicou, os choques externos que antes geravam depreciação cambial e aumento da dívida pública, piorando a percepção de risco e alimentando a desvalorização do real, hoje fazem com que a dívida pública caia em proporção do PIB e se torne um fator estabilizador para a economia brasileira. Ele afirmou que a posição cambial credora do Brasil, resultado da política de swap cambiais reversos e acumulação de reservas internacionais, "mostra-se providencial" neste momento de crise.   Ele repetiu a projeção do BC para a relação dívida/PIB em setembro, que é de 38,9%, a mais baixa desde 1998, e disse também que em outubro, com a alta do dólar, a dívida deve ter caído abaixo desse valor.   Meirelles afirmou que crise gerou um problema de liquidez para o Brasil e reconheceu que, por conta disso, houve queda no fechamento de Adiantamento de Contratos de Câmbio (ACC), o que, no entanto, avalia, deve ser normalizado com os leilões de empréstimos em dólar realizados pelo BC. Ele ressaltou que os valores que o Brasil tem gasto para mitigar os efeitos da crise no País são inferiores aos empregados pelos países desenvolvidos ou outros emergentes.   Incertezas   O presidente do BC afirmou que há ainda um fator de incertezas sobre a economia mundial, que é o montante de prejuízos que ainda serão reconhecidos pelos bancos norte-americanos. Na sua apresentação na Câmara, Meirelles ponderou sobre os problemas de capitalização das instituições financeiras no mundo desenvolvido, que exigiram fortes intervenções governamentais que, somadas, foram de US$ 595 bilhões, sendo parte significativa destinada a capitalizar os bancos. Meirelles ressaltou que os bancos brasileiros, ao contrário, estão com índices de capitalização acima do requerido, bem como têm indicadores positivos de rentabilidade, liquidez e inadimplência.   Meirelles afirmou que o mundo, por conta da crise, está crescendo menos, e as estimativas atuais tendem a ser revisadas para baixo.   Meirelles deixou o plenário da Câmara assim que terminou sua exposição inicial. Segundo o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), Meirelles estaria se ausentando por questões operacionais. "O presidente do BC precisa fazer o fechamento de mercado", justificou Chinaglia.   O deputado disse que, se for preciso, Meirelles retornará à Casa após a exposição do ministro da Fazenda, Guido Mantega, que foi iniciada há pouco. O líder do DEM, deputado ACM Neto (BA), pediu a Meirelles que retorne ao plenário em respeito aos deputados que participam da audiência. O deputado Roberto Freire (PPS-PE) reforçou o pedido do Democratas.   Baixa audiência   O debate sobre a crise financeira internacional atraiu poucos deputados ao plenário da Câmara. Na última semana de campanha eleitoral, a maioria dos parlamentares preferiu ficar em seus Estados no lugar de ouvir o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, e o ministro da Fazenda, Guido Mantega.   No início da exposição de Meirelles, o primeiro a falar na sessão da Câmara transformada em Comissão Geral (uma espécie de audiência pública realizada no plenário), pode-se contar menos de 60 deputados no plenário. Desde a manhã de hoje até as 16h, 135 deputados, 26% do total, registraram entrada na Casa. O registro é feito na chegada e não há registro de saída do deputado, portanto, não há controle quanto ao número de presentes no momento nas dependências da Câmara.   Estão no plenário os líderes de partidos de oposição, PSDB, José Aníbal (SP), do DEM, Antonio Carlos Magalhães Neto (BA), e do PPS, Fernando Coruja (SC). Da base governista, estão no plenário o líder do PT, Maurício Rands (PE), do PMDB, Henrique Eduardo Alves (RN), do PR, Luciano Castro (RR), do PDT, Vieira da Cunha (RS), do PCdoB, Jô Moraes (MG), o líder do governo, Henrique Fontana (RS), entre outros.

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