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Meirelles ataca política monetária ''cambiante''

Presidente do BC critica analistas que defendem política monetária[br]de acordo com a conveniência e faz alerta a administradores de fundos

Ricardo Leopoldo, O Estadao de S.Paulo

27 de maio de 2009 | 00h00

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles (BC), criticou analistas que defendem a política monetária "cambiante", que deveria seguir a conveniência do momento, ora voltada para o equilíbrio interno, ora para a harmonia do balanço de pagamentos. Para ele, um regime monetário que variasse dessa forma se tornaria "errático, uma política monetária que atuaria como uma biruta, ao sabor do vento, e não a âncora da estabilidade macroeconômica". Segundo ele, "felizmente não é esse o objetivo precípuo nem a prática da política monetária implantada pelo BC, calcada no controle da inflação"."O BC é focado na evolução da situação macroeconômica ampla, e não apenas em seus aspectos restritos ou setoriais, permitindo-nos praticar as menores taxas de juros de nossa história econômica recente, o que terá importantes efeitos contracíclicos e ajudará na recuperação da economia", disse. Ele ressaltou que a falta de harmonia na condução da economia no passado já provocou resultados desastrosos ao País. "A sociedade brasileira está usufruindo hoje os benefícios da estabilidade e não cairá nos cantos da sereia." Ao falar aos jornalistas após a abertura do 5º Congresso da Anbid de Fundos de Investimento, em São Paulo, Meirelles também alertou as instituições financeiras que atuam no segmento de fundos de investimento para que aprendam com as lições da atual crise e adotem procedimentos cautelosos para a gestão dos ativos que administram."As lições aprendidas com a crise internacional devem evitar que cometamos os mesmos erros no Brasil, com excesso de euforia, falta de transparência e incorreta precificação de risco, que caracterizaram os mercados americanos na última década", disse.Segundo ele, a indústria de fundos no Brasil "deve se voltar hoje para o motivo de sua estruturação nos anos 60". Segundo ele, o setor surgiu com o objetivo de fortalecer o financiamento de médio e longo prazos para investir em vários setores produtivos da economia, a fim de possibilitar ao País menor dependência de capitais internacionais, estatais ou de curto prazo. Para Meirelles, a questão mais importante para os fundos de investimento em todo o mundo é restabelecer a confiança dos poupadores, que sofreram grandes perdas com a crise. Segundo ele, depois de uma queda muito forte dos valores dos ativos financeiros, entre eles as ações de empresas, podem ocorrer movimentos de volatilidade nos mercados por um período prolongado.

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