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Meirelles: Brasil não faz política monetária por analogia

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, afirmou hoje que o Brasil não fez política monetária por analogia na entrada da crise e não fará por analogia na saída da crise. "O Brasil fez política monetária diferente de outros países", disse o presidente do BC, sem mencionar claramente sobre uma possível elevação de juros antes de 2010 como vem sendo especulado pelo mercado.

PATRÍCIA CAMPOS MELLO, Agencia Estado

03 de outubro de 2009 | 16h04

Em entrevista em Istambul, durante a reunião anual do Fundo Monetário Internacional (FMI), Meirelles disse que os juros estão subindo no mercado futuro "porque as autoridades do mundo todo deram estímulos no limite e então vão ter de reverter isso no âmbito fiscal e monetário" e o "Brasil já está saindo na frente" da crise.

O presidente do BC tentou minimizar a importância da controvérsia com o ministério da Fazenda sobre críticas à política fiscal no relatório de inflação, mas disse ser "legítimo" que analistas discutam a política fiscal. "A questão é clara: o Banco Central é responsável pela política monetária e cambial, e o Ministério da Fazenda responde pela política fiscal. Não cabe à Fazenda discutir política monetária, e não cabe ao BC discutir política fiscal." Meirelles disse que, no relatório de inflação, o BC simplesmente leva em conta todos os fatores macroeconômicos, inclusive os estímulos monetário e fiscal, e faz sua projeção de inflação. "E a conclusão é que a inflação vai ficar dentro da meta", afirmou.

Agora, se analistas estão discutindo o impacto da política fiscal na inflação, "o Banco Central não tem nada a ver com isso". "É legítimo e normal que analistas discutam a política fiscal e que as autoridades respondam", disse. "O BC não tem nada a ver com isso, não botem o relatório de inflação no meio." O relatório de inflação do Banco Central, publicado na semana passada, chamava a atenção para o aumento de gastos de custeio. Isso contribuiu para alimentar discussão sobre o risco de pressões inflacionárias causadas pelo gasto público crescente e especulações de que pode ser necessário elevar os juros antes do início do ano que vem. Em entrevista na sexta-feira, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, acusou os analistas críticos da política fiscal de terem "intenções espúrias" e "especularem para elevar os juros".

Em relação à proposta pelo diretor-gerente do FMI, Dominique Strauss-Kahn, de que os emergentes acumulem menos reservas e deixem o fundo funcionar como o "acumulador de reservas" de última instância, disse que o conceito "teórico é bom, mas a implementação não será trivial".

"Quando um país tem as suas próprias reservas, ele decide quando e como usar. Não tem que discutir com os membros de uma organização multilateral", afirmou. Meirelles informou que as reservas do Brasil subiram de US$ 205 bilhões no início da crise para US$ 225 bilhões agora. As reservas, disse, ajudaram o Brasil a enfrentar a crise em melhores condições e dão autonomia ao País. "Imagine se os Estados Unidos, para implementar seu pacote de estímulo com gastos públicos, tivessem de discutir com outros países?". Só um mecanismo que fosse acionado de forma automática, não sujeito a discussões, funcionaria.

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